Literacia em Saúde: “Não basta ter informação, é necessário apostar na qualidade”
DATA
13/02/2020 10:51:05
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Jornal Médico
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Literacia em Saúde: “Não basta ter informação, é necessário apostar na qualidade”

“A Literacia em Saúde é um ativo essencial para o exercício da cidadania em saúde, para garantir o acesso a cuidados de saúde e a adesão ao plano terapêutico, em qualquer sistema de saúde”, afirma a professora da Unidade de Saúde Internacional e Bioestatística e uma das organizadoras da conferência intitulada “Literacia em Saúde e Acesso aos cuidados de Saúde nos Homens – Desafios e Oportunidades em Saúde Global”, Inês Fronteira.

Com o objetivo de refletir sobre a importância de compreender e utilizar de forma adequada a informação sobre e em saúde, a iniciativa decorreu, a 11 de fevereiro, no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, da Universidade Nova de Lisboa.

A conferência surgiu no âmbito de um projeto de investigação que envolve uma colaboração entre o Instituto de Higiene e Medicina Tropical, o Instituto de Saúde e Desenvolvimento Global da Universidade Queen Margaret e o Instituto Moçambicano de Educação e Pesquisa em Saúde. Um projeto alargado que visa avaliar a literacia em saúde e o comportamento de procura de cuidados de saúde por parte dos homens moçambicanos com infeção por HIV e que têm também uma doença cardiovascular.

“Numa perspetiva de explorar aquilo que se entende por literacia em saúde e identificar as diferentes componentes da literacia em saúde, pretendemos com esta conferência primeiro dar a conhecer o projeto à comunidade do IHMT e, segundo, reunir alguns peritos que nos ajudem a refletir sobre assuntos como: o que é a literacia em saúde, se a literacia em saúde faz sentido, se tem componentes diferentes em países de média e baixa renda e, mais especificamente, em países subsaarianos, e nos homens em particular”, explicou a investigadora.

Abordando os próximos passos para o aumento da literacia em saúde na população a nível global, Inês Fronteira salientou que o grande desafio da atualidade está relacionado com a necessidade de obter “informação de qualidade e fiável”. “Em tempos, a questão era muito relacionada com a informação e a disponibilização dessa informação, contudo, agora, existe um deficit de informação de qualidade e fiável”.

Na opinião da especialista importa ainda ajudar a desenvolver o espírito crítico na população, de forma a que “as pessoas usem a informação de acordo com as suas necessidades, tendo já algum conhecimento sobre a qualidade dessa informação”. “Não basta ter acesso a informação, é necessário ter acesso a informação de qualidade e ser capaz de reconhecer ou, mais uma vez, de ter literacia para procurar as fontes e perceber se aquela informação é ou não fiável”.

A equipa do projeto, juntamente com alguns dos peritos presentes, vai dar continuidade aos trabalhos dia 12 de fevereiro com o objetivo de “desenhar o quadro conceptual para medir literacia em saúde em contextos de mais fragilidade dos sistemas sociais, dos sistemas de informação e de todos os determinantes da saúde que são os determinantes da saúde global, e que vão afetar os comportamentos de literacia em saúde”, concluiu Inês Fronteira.



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Editorial | Jornal Médico
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