Crescente uso de psicoativos por jovens é alvo de preocupação para ONU
DATA
27/02/2020 15:42:01
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Jornal Médico
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Crescente uso de psicoativos por jovens é alvo de preocupação para ONU

O uso de substâncias psicoativas está a crescer entre jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos em todo o mundo. Os dados são do Relatório Anual do International Narcotics Control Board (INCB), a agência de drogas da Organização das Nações Unidas (ONU), relativo a 2019, onde se apela aos Governos que melhorem as suas intervenções de prevenção e tratamento para jovens, baseando-as em evidência.

No âmbito da análise da situação global de controlo de drogas, o relatório do INCB, divulgado hoje, foca o tema de prevenção e serviços de tratamento para jovens e a importância de promover a saúde nos adolescentes, protegendo-os, como forma de melhorar globalmente a saúde pública, com “benefícios para a economia e para a sociedade a longo prazo”.

As estimativas globais de saúde de 2015 da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, embora as mortes por todas as causas representem apenas 4,8% na faixa etária de 15 a 29 anos, elas totalizam 23,1% das mortes atribuídas a problemas relacionados ao uso de estupefacientes.

Os indivíduos mais jovens são “particularmente vulneráveis aos efeitos destas substâncias a longo prazo”, realça o relatório. Acresce a esta situação a evidência científica que aponta para o seguinte: maior probabilidade de desenvolvimento de transtorno por uso de substâncias psicoativas na vida adulta quanto mais cedo se inicia a sua utilização; conexão – com frequência numa relação de precedência – entre o uso de álcool e de tabaco em crianças e adolescentes e a iniciação do uso de substâncias psicoativas, como canábis, opiáceos e cocaína.

“O consumo é mais elevado nos jovens com idades entre os 18 e 25 anos e a canábis é a droga mais amplamente utilizada”, expunha o Relatório Mundial sobre Drogas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) de 2018, citado no documento do INCB. A partir de informação de 130 países, o UNODC estimava ainda que, em 2016, 13,8 milhões (média de 5,6%) de jovens com 15 e 16 anos consumissem canábis, sendo que as taxas por região eram as seguintes: Europa (13,9%), Américas (11,6%), Oceânia (11,4%), África (6,6%) e Ásia (2,7%).

Enquanto fatores como personalidade, perceções distorcidas, aprovação social, disponibilidade e falta de consciencialização influenciam o risco para a primeira utilização, os fatores fisiológicos, neurológicos e genéticos têm uma maior influência na progressão do abuso de substâncias. Essa observação do Relatório Mundial sobre Drogas de 2018, reproduzida pelo INCB, sustenta a necessidade de se reverem os fatores de risco e de proteção.

Nesse sentido, o INCB realça a importância de ter em consideração, aquando o desenho de medidas de prevenção e tratamento nestas idades, “as influências individuais e ambientais sobre os jovens e seu desenvolvimento”. Intervenções que sejam mais focadas no grupo alvo – jovens com idades entre 15 e 24 anos –, que abordem a ligação entre as substâncias psicoativas e que procurem desconstruir e mudar as conceções erradas que possam existir são a proposta do INCB.

No combate ao uso de substâncias, o INCB defende também o uso de múltiplas abordagens baseadas em evidência, sendo que estas devem ir para além de programas escolares para abrangerem mais contextos (família, comunidade, redes sociais). Promover o conhecimento, a definição de regras, o desenvolvimento de habilidades pessoais e sociais, incluindo tomada de decisões e definição de objetivos, são algumas das Normas Internacionais do UNODC-OMS sobre a Prevenção ao Uso de Drogas. Algumas destas medidas devem ser levadas a cabo ainda antes de se atingir a idade do primeiro uso. “Técnicas de prevenção integradas são essenciais para impactar as atitudes de jovens adultos em relação ao consumo de droga, mesmo que as leis e regulações existam e limitem claramente o acesso a substâncias psicoativas”.

Em relação ao tratamento, também devem ser tidas em conta as necessidades específicas dos adolescentes, que diferem das dos adultos. Novamente, as intervenções devem ser desenhadas para este grupo-alvo, incluindo os objetivos de desenvolvimento das crianças e adolescentes, e devem ser utilizadas abordagens multifacetadas, com componentes psicossocial, comportamental e motivacional.

O relatório expressa ainda “preocupação com o cenário global em rápida mudança de precursores (produtos químicos essenciais à produção de drogas) para ‘designers’ (tipos de droga) fabricados ilegalmente e adaptados a um mercado diversificado e online”.

Referindo “injustiças relacionadas com a disponibilidade de medicamentos controlados”, desde a prescrição excessiva em alguns países até o acesso limitado noutros, o INCB apela aos Governos “que respeitem os direitos humanos na implementação de políticas de drogas e em conformidade com as três convenções internacionais de controlo de drogas”.

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