Covid-19: Dois casos confirmados em Portugal
DATA
02/03/2020 12:19:32
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Jornal Médico
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Covid-19: Dois casos confirmados em Portugal

Foi confirmado o primeiro caso de novo coronavírus (Covid-19) em Portugal, numa conferência de imprensa, no ministério da Saúde, em Lisboa.

“Trata-se de um homem, médico, na casa dos 60 anos, que se encontra estável, regressado de umas férias no norte de Itália. Deu entrada no Centro Hospitalar de São João, no Porto, no passado dia 29 de fevereiro, com sintomas associados ao novo coronavírus”, explicou a ministra da Saúde, Marta Temido.

O outro caso, agora confirmado, é o de um homem de 33 anos, regressado de Valência, em Espanha, esclareceram a governante e a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, na conferência de imprensa. Ambos os casos foram identificados ontem. O estado de saúde de ambos é estável, de acordo com as fontes oficiais, que acrescentaram que “os contactos próximos destes dois doentes vão ser colocados em vigilância e que as autoridades estão já a trabalhar na identificação destes contactos”.

De acordo com Graça Freitas, o estado de contenção é bastante importante para contrariar o percurso natural do vírus e é precisamente nesta fase que Portugal se encontra face a esta infeção. Assim sendo, refere, “a palavra de ordem deve ser tranquilidade!”. E recomenda: “neste momento, aquilo que é a recomendação geral para as pessoas que venham de uma área afetada onde possam ter tido contacto com doentes é fazerem vigilância ativa e contactarem a linha SNS 24, no sentido de terem aconselhamento do que devem fazer. Será um trabalho caso a caso”, referiu a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

Por sua vez, a ministra da Saúde anunciou reforços na “rastreabilidade” dos passageiros de voos vindos de Itália e da informação prestada aos mesmos. “Insistir que estejam atentas ao estado de saúde e se tiver sintomas que liguem para a SNS 24, em vez de irem às unidades de cuidados de saúde”, esclareceu, deixando transparecer a preocupação das autoridades relativamente ao contágio dos profissionais de saúde.

Apesar de o primeiro caso confirmado ser referente a um médico, a ministra da Saúde esclarece que se trata de “uma pessoa que estava de férias. Não se trata de um caso de infeção ocupacional em exercício profissional, não estando esta pessoa a incorrer em risco próprio ou a apresentar risco de contágio a pacientes”.

Quanto à seleção dos casos que devem ser testados, a responsável afirmou que: “Relativamente aos testes, a Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), definiram qual será a metodologia para realização de testes de despistagem, mas, e como foi aqui referido, tem de existir dinamismo e flexibilidade para adaptar as nossas ações ao risco e a situações particulares”.

Esta mudança na metodologia de escolha sobre quem é testado possibilita a realização de despistagens a contactos diretos dos recém-infetados e não só. “Contudo, essa decisão recai sobre a autoridade de saúde que terá de realizar uma história clínica e o grau de risco de infeção terá de ser muito bem avaliado”, acrescenta a diretora-geral da Saúde.

O presidente do INSA, Fernando Almeida, reiterou as informações partilhadas e adicionou que “existem hospitais, em parceria com o INSA, a realizar os testes de despistagem, entre eles o Centro Hospitalar de São João, o Hospital Curry Cabral e Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, entre outros”.

Quanto ao evoluir da situação em Portugal, a ministra da Saúde explica que: “dando cumprimento aquilo que tem sido solicitado pelas organizações internacionais, iremos manter um elevado nível de coordenação e uma adoção proporcional de medidas, tendo em conta o risco que vai aumentando ou diminuindo”. Marta Temido sublinha que “neste momento, o que vamos fazer é a aplicação mais incisiva sobre os suspeitos, pessoas com quem contactaram, local onde se encontravam – para que o trabalho das autoridades de saúde seja facilitado”.

A terminar esta conferência de imprensa, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, explicou o despacho, hoje tornado público, sobre o teletrabalho ou isolamento profilático a nível nacional. “Não existirá perda de retribuição salarial”, garantiu. Este despacho, que será hoje publicado em Diário da República, apenas contempla os trabalhadores de serviços públicos.

Neste momento, e de acordo com a informação atual da DGS, o risco para a saúde pública em Portugal é considerado moderado a elevado. “Não há risco-zero”, sublinha Graça Freitas. As atualizações por parte do Ministério da Saúde e DGS, continuarão a ser feitas diariamente às 18 horas e sempre que necessário.

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Editorial | Jornal Médico
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O futuro tem hoje 5 dias! Inacreditável! Quem é que tem agenda para mais de 5 dias? A pandemia COVID-19 alterou profundamente a vida quotidiana, a prestação de cuidados de saúde e a organização dos serviços de saúde está totalmente alterada. O isolamento social é a orientação primordial de confrontação da pandemia. Mas é necessário promover o apoio de proximidade essencial e aprender a fazê-lo em segurança.

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