×

Alerta

JUser: :_load: Não foi possível carregar o utilizador com o ID: 34880
Grupo de intervenção na surdez quis sensibilizar população para tratamento e prevenção de problemas auditivos
DATA
04/03/2020 09:43:23
AUTOR
ETIQUETAS




Grupo de intervenção na surdez quis sensibilizar população para tratamento e prevenção de problemas auditivos

No âmbito do Dia Mundial da Audição, assinalado a 3 de março, o Grupo de Rastreio e Intervenção da Surdez Infantil (GRISI) promoveu ontem um encontro no Hospital Lusíadas Lisboa. Aumentar a literacia da comunidade para questões relacionadas com a audição e derrubar barreiras que impedem o acesso a cuidados auditivos são dois dos grandes objetivos deste grupo.

“Sabe-se que há 466 milhões de pessoas com deficiência auditiva a nível mundial e que 15 milhões são crianças. Este é o panorama que nós temos e é a partir daqui que nós vamos trabalhar, sob orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS)”, esclareceu a atual presidente e membro fundador do GRISI, bem como coordenadora da Unidade de Otorrinolaringologia do Hospital Lusíadas Lisboa, Luísa Monteiro, ao Jornal Médico.

Em 2017, a OMS emitiu e aprovou uma resolução sobre o tema (WHA70.13) com vista à implementação, até 2025, de “determinadas resoluções no sentido da deteção precoce, da preservação da audição e na reabilitação auditiva para todos os cidadãos do mundo”, recordou a especialista.

Enquanto único representante português no 1º Fórum Mundial sobre Audição, realizado em Genebra em dezembro de 2019, o GRISI está certificado pela OMS para o triénio 2019-2021. Nesse sentido, a responsável sublinhou que esta comemoração integra um conjunto de ações que visa sensibilizar a população para a incapacidade e/ou perda auditiva, focando o tratamento e a prevenção.

Independentemente da faixa etária, há sempre soluções que podem melhorar a audição – e, por conseguinte, a qualidade de vida – de quem sofre de perturbações do foro auditivo. Segundo a médica, esta é uma das mensagens-chave que se procurou transmitir.

“Há maior dificuldade nos adultos em reconhecer que precisam de ajuda e em aceitarem essa ajuda. Há um estigma”, destacou a otorrinolaringologista. Na sua perspetiva, este facto deve-se também, em parte, à banalização da ideia de que os problemas auditivos e a idade avançada andam de mão dada, não sendo possível e/ou necessário melhorar a condição auditiva. “É preciso mostrar que há soluções e torná-las mais acessíveis”, declarou.

Como tal, a sessão contou com a partilha de experiências de várias pessoas, crianças e adultos, cujas realidades são marcadas por estes problemas. O impacto económico (“estas soluções ainda são muito caras"), os obstáculos na comunicação com os outros, as vertigens que condicionam as atividades diárias, as consequências no desenvolvimento da criança e o processo de reabilitação foram alguns dos temas abordadas, dando voz às dificuldades sentidas, mas também – e sobretudo – às conquistas, reforçando a “importância de mostrar casos de sucesso”. Houve ainda espaço para uma apresentação sobre o papel da música no desenvolvimento da criança com problema auditivo.

E a necessidade de sensibilização não se limita à população em geral. Como explicou Luísa Monteiro, a multidisciplinaridade dos cuidados, com diversidade de profissionais, é essencial para atingir os objetivos propostos. Assim, mencionou, a título de exemplo, dentro das especialidades médicas, a Gerontologia e a Medicina Geral e Familiar pela capacidade de referenciação, tendo sempre em mente que o objetivo a longo prazo é garantir que “quem precise tenha acesso a prótese auditiva".

Pela força dos números mundiais – 1,1 mil milhões de indivíduos em risco de danificar a audição – e por a perda auditiva estar associada ao condicionamento do desenvolvimento cognitivo nas crianças e ao declínio cognitivo nos idosos (estando já a ser ligada a maior risco de demência), a iniciativa também incidiu sobre a necessidade de prevenção.  “Não basta nascermos com boa audição, temos de a preservar”, realçou a presidente do GRISI.

O GRISI é uma organização profissional não governamental que foi concebida em 2005 por um conjunto de profissionais de saúde com o intuito de implementar programas de rastreio auditivo neonatal universal. Desde então, e após o objetivo inicial ter sido atingido, a área de intervenção do GRISI tem vindo a ser alargada. “Perder o ‘infantil’ no nome”, aumentando o espectro de atuação, é o que se pretende, adiantou a otorrinolaringologista.

Uma oportunidade de ouro
Editorial | Nuno Jacinto
Uma oportunidade de ouro

O ano que agora terminou foi sem dúvida atípico, fora do normal e certamente ficará para sempre na nossa memória individual e coletiva. Mas porque, apesar de tudo, há tradições que se mantêm, é chegada a hora de fazer um balanço de 2020 e perspetivar 2021.

Mais lidas