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Estudo aponta para “doente de Londres” como segundo indivíduo infetado por VIH curado
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10/03/2020 16:27:33
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Estudo aponta para “doente de Londres” como segundo indivíduo infetado por VIH curado

O designado “doente de Londres”, no Reino Unido, é sugerido como segundo indivíduo infetado com vírus de imunodeficiência humana (VIH) curado através do transplante de células estaminais de um dador com um gene resistente ao VIH. O estudo foi divulgado hoje no meio online da revista médica The Lancet HIV.

No comunicado da publicação, o coordenador do estudo experimental, Ravindra Kumar Gupta, da Universidade de Cambridge, sugere que “estes resultados representem o segundo caso de uma pessoa com VIH a ser curada”. Em favor da posição da equipa de investigadores, o responsável argumenta que “os resultados mostram que o sucesso do transplante de células estaminais como cura para o VIH, relatado pela primeira vez há nove anos no 'doente de Berlim', pode ser replicado”.

Recorde-se que, em 2011, na Alemanha, apresentava-se o “doente de Berlim”, o primeiro infetado com VIH a ficar curado após tratamento semelhante durante três anos e meio.

Já nesta investigação mais recente, o indivíduo, de sexo masculino, deixou de ter infeção viral ativa ao fim de dois anos e meio sem medicamentos antirretrovirais. Esta condição foi verificada através de amostras de sangue, de líquido cefalorraquidiano, de sémen, de tecido intestinal e de linfoide.

Para além desses parâmetros, a equipa de cientistas considerou um modelo probabilístico em que a percentagem de cura seria de 99% se o doente tivesse 90% de células imunitárias derivadas das células que foram transplantadas. Como se observou que 99% das células imunitárias derivaram de células estaminais provenientes do dador, os investigadores concluíram que o transplante destas células foi bem-sucedido.  

Com o gene resistente ao VIH (CCR5), as células estaminais dos dadores são transplantadas para o doente por forma a substituir as células imunitárias das pessoas infetadas pelas dos dadores e, assim, impedir a multiplicação do vírus no organismo do doente. Em complemento, o indivíduo é submetido a radioterapia e a quimioterapia.

Não obstante os resultados positivos, os autores do estudo ressalvam que esta terapêutica é de risco elevado, pelo que só pode ser usado como último recurso para doentes com o vírus da sida que têm leucemia. Ravindra Kumar Gupta esclare que “não é um tratamento que possa ser amplamente dado a infetados com o VIH que estão a responder com sucesso a um tratamento antirretroviral”.

O “doente de Londres” recebeu um tratamento menos agressivo do que o “doente de Berlim”. Foi um único transplante de células estaminais e doses mais reduzidas de quimioterapia e radioterapia, em comparação com dois transplantes, radioterapia em todo o corpo e um regime de quimioterapia mais intensivo, respetivamente.

Embora a remissão da infeção por VIH ter sido reportada em 2019, o doente britânico irá continuar a ser monitorizado, mas com menos frequência.

Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.