Covid-19: estudo aponta para idade, sépsis e problemas de coagulação como fatores de risco
DATA
10/03/2020 18:35:34
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Jornal Médico
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Covid-19: estudo aponta para idade, sépsis e problemas de coagulação como fatores de risco

Um estudo publicado ontem na revista científica “The Lancet” aponta para a idade avançada, a apresentação de sinais de sépsis e o diagnóstico de problemas de coagulação do sangue durante o internamento como fatores-chave associados a maior risco de mortalidade por covid-19.

No total, foram analisados 191 doentes com mais de 18 anos infetados por covid-19, em dois hospitais na cidade chinesa de Wuhan, sendo que 137 acabaram por ter alta e 57 por morrer. Os resultados mostraram que a existência de doenças subjacentes, tais como tensão alta ou diabetes, e o uso prolongado de ventilação não invasiva foram outros fatores relevantes em 54 dos óbitos.

Nesta investigação, observou-se que os doentes a receber alta tinham, em média, 52 anos, enquanto os doentes que morreram tinham uma idade média de 69 anos. Segundo o investigador e médico no Hospital Jinyintan Zhibo Liu, “os piores resultados nos idosos podem dever-se, em parte, à fraqueza do sistema imunitário e ao aumento da inflamação associados à idade, que podem promover a replicação viral e respostas mais prolongadas à inflamação, causando danos duradouros no coração, cérebro e outros órgãos”.

O objetivo de analisar os fatores de risco é, segundo os cientistas, facilitar a identificação de doentes com um prognóstico mais reservado no início de tratamento. Ademais, a investigação procurou também avaliar a duração do período de excreção viral. Nesse âmbito, verificou-se que a duração média do período de transmissão do vírus foi de 20 dias nos doentes que sobreviveram; nos doentes que morreram, o vírus foi detetável até ao momento da morte.

Os autores aferiram ainda que a transmissibilidade do vírus é influenciada pela gravidade da doença. Assim, salvaguardam que, para além de a dimensão da amostra poder limitar a interpretação dos dados, dois terços dos participantes estavam em estado grave ou crítico, pelo que os resultados deste estudo podem não ser aplicáveis a todos os doentes.

Relativamente à duração média de alguns dos sintomas de Covid-19, averiguou-se o seguinte: 12 dias de febre e cerca de 13 dias de dificuldades respiratórias, nos casos sobreviventes. Quanto à tosse, 45% dos afetados que sobreviveram ainda a apresentam aquando o momento de alta hospitalar. Nos óbitos, tanto a tosse como as dificuldades respiratórias se mantiveram presentes até ao momento da morte.

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