Covid-19: Bastonária dos Farmacêuticos apela para que se cumpram regras de segurança nas farmácias
DATA
16/03/2020 15:46:23
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Jornal Médico
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Covid-19: Bastonária dos Farmacêuticos apela para que se cumpram regras de segurança nas farmácias

A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos apelou hoje aos portugueses para que cumpram as regras de segurança criadas para as farmácias, como, por exemplo, aguardar o atendimento no exterior, para se protegerem e proteger os profissionais.

“Temos de ter uma corrente de bom senso e estar todos juntos nesta luta. Onde não existir postigo por favor cumpram as regras”, disse Ana Paula Martins em declarações à agência Lusa.

A bastonária relatou que existem já situações de colegas exaustos face à ansiedade e ao nervosismo das pessoas, devido à propagação do novo coronavírus, que provoca a doença Covid-19.

“Os portugueses têm de colaborar e onde não há postigo por favor cumpram as regras, não se zanguem, nem tratem mal os profissionais”, disse frisando a necessidade de todos contribuírem para que as farmácias possam continuar a funcionar.

As farmácias únicas nas localidades sem cobertura farmacêutica a um raio de dois quilómetros devem garantir o atendimento ao público por postigo ou sem entrada de utentes nas instalações por causa do surto de Covid-19.

De acordo com as orientações enviadas pelo Infarmed às farmácias e à Ordem dos Farmacêuticos no sábado, para garantir o serviço farmacêutico à comunidade, nestas situações os profissionais devem sempre usar equipamento de proteção individual.

O Infarmed diz ainda que as farmácias, quando necessário e para evitar o acumular de pessoas junto à zona de atendimento ao público, podem pedir aos utentes que tirem senha e aguardem no exterior.

A bastonária adiantou que muitas farmácias, especialmente as mais pequenas, já optaram pelo atendimento através dos postigos por considerarem mais seguro e que muitas outras estão também a proceder à instalação de acrílicos.

Ana Paula Martins apelou para cuidados redobrados com os idosos, para que estes não sejam expostos em deslocações às farmácias, enviando alguém jovem em seu lugar, e que façam os pedidos de uma só vez evitando várias deslocações.

As normas do Infarmed definiram também que a entrega de encomendas deve ser feita sem entrada do funcionário do armazenista nas instalações da farmácia e deverão ser desinfetadas no exterior as caixas e medicamentos e produtos de saúde, antes de entrarem nas instalações.

Para assegurar a cobertura farmacêutica, nomeadamente nas localidades onde existam farmácias encerradas, poderá ser feita entrega de medicamentos ao domicílio por farmácias dessa localidade ou das limítrofes e o funcionário responsável por essa tarefa deve evitar o contacto com o utente e seus objetos pessoais.

Caso o diretor técnico ou farmacêutico não possa garantir as funções de direção técnica, o cargo pode ser ocupado por farmacêutico não pertencente ao quadro dessa farmácia.

Se não for possível garantir o funcionamento da farmácia, isso deverá ser comunicado ao Infarmed, para que seja encontrada uma forma de assegurar a cobertura farmacêutica da zona afetada.

Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
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É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.