Covid-19: Apifarma considera essencial proteger produção e circuito do medicamento
DATA
17/03/2020 12:57:47
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS

Covid-19: Apifarma considera essencial proteger produção e circuito do medicamento

A indústria farmacêutica considerou hoje essencial "diferenciar atividades" para assegurar que os medicamentos e os dispositivos médicos para diagnóstico ‘in vitro’ continuem a chegar aos cidadãos, nomeadamente aos mais vulneráveis e aos doentes.

Em comunicado, a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) refere que, numa altura em que o foco da pandemia Covid-19 está na Europa, Portugal possui uma cadeia de produção de medicamentos e distribuição de medicamentos e dispositivos médicos para diagnóstico ‘in vitro’ que é, neste cenário, "fundamental proteger e agilizar".

No entender da Apifarma, esta é uma questão estratégica para Portugal e para a União Europeia (UE), sendo também um verdadeiro imperativo de saúde pública.

"É essencial e premente assegurar que os medicamentos e os dispositivos médicos para diagnóstico ‘in vitro’ chegam a todos os cidadãos, nomeadamente aos mais vulneráveis e aos doentes", diz a Apifarma, notando que o encerramento das fronteiras terrestres no que à circulação de pessoas diz respeito, tal como foi determinado pelo Governo, exige a capacidade do Estado em diferenciar atividades.

Segundo a Apifarma, as fábricas que produzem medicamentos em Portugal integram uma cadeia de fornecimento que "não pode ser interrompida", devendo, ao invés, ser "protegida e preservada", para evitar problemas no fabrico e na distribuição.

Deste imperativo - acrescenta - depende, também, o funcionamento e a proteção do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

"Assim, quer o fornecimento de matérias-primas necessárias a cada uma das unidades – seja por estrada ou por outras vias de comunicação –, quer a deslocação de pessoal essencial à produção, devem ser totalmente protegidas para evitar o estrangulamento de partes deste setor absolutamente estratégico para a prossecução dos fins dos Serviços de Saúde", defende a Apifarma.

A associação lembra que a esmagadora maioria das matérias-primas, das substâncias ativas e dos excipientes usados pela indústria farmacêutica nacional são importados, pelo que o encerramento temporário de fronteiras deve considerar, "em absoluto, a urgência de manter abertos e totalmente operacionais os canais de transporte que permitem o trânsito e o normal escoamento deste tipo de mercadorias"

A Apifarma confirma que as empresas de medicamentos com fábricas instaladas em Portugal estão a adotar todas as medidas de saúde pública impostas pelo Governo e pelas autoridades de saúde, assegurando que o fizeram desde a primeira hora, cientes de que "é fundamental a coordenação entre todos os atores de maneira a minimizar todos os riscos".

"A indústria está organizada e tem planos de contingência capazes de responder aos problemas que têm surgido. Contudo, é fundamental que o Estado compreenda a especificidade deste setor de modo a evitar sobressaltos", ressalva.

A indústria farmacêutica realça ainda que está "totalmente empenhada no esforço nacional, europeu e mundial de combate à pandemia Covid-19, bem como no compromisso com o SNS e com a saúde das pessoas.

No contexto do surto epidémico pr

Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve

É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.