Covid-19: Especialistas da área respiratória apelam aos governos para que garantam a livre circulação de dispositivos médicos essenciais
DATA
26/03/2020 11:35:07
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Jornal Médico
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Covid-19: Especialistas da área respiratória apelam aos governos para que garantam a livre circulação de dispositivos médicos essenciais

A European Respiratory Society (ERS) junta-se ao apelo dos que têm feito soar o alarme a propósito do controlo das fronteiras e das proibições de exportação, o que tem um grande impacto na livre circulação de dispositivos médicos essenciais em toda a Europa.

Cada atraso no transporte de suprimentos, devido ao bloqueio das fronteiras, põe os profissionais de saúde em perigo e os doentes em risco acrescido. Um mercado europeu unificado deve facilitar a luta europeia conjunta contra a pandemia da Covid-19. “As fronteiras não devem ser barreiras nesta luta”, afirma a ERS em comunicado.

O presidente da ERS, Thierry Troosters, afirmou que “as restrições nas fronteiras representam um fardo desnecessário e perigoso para os sistemas de cuidados intensivos que já estão a enfrentar desafios sem precedentes. Os esforços incansáveis dos nossos médicos e intensivistas da área respiratória deixarão de ser eficazes se não puderem confiar nos princípios do mercado interno, na solidariedade entre os Estados-membros e na cadeia transfronteiriça de suprimentos médicos essenciais”.

Este apelo surge na sequência de alguns relatórios que constatam o facto de que as exportações de dispositivos médicos - incluindo máscaras e outros equipamentos de proteção individual, respiradores, ventiladores, kits de teste e consumíveis -, para os Estados-membros, estarem a ser interrompidas devido às proibições de exportação dentro da UE e que foram aplicadas por vários Estados-membros. Apesar da introdução do regime de autorização de exportação em toda a Europa, alguns Estados-membros mantiveram as suas proibições de exportação.

Além disso, alguns Estados-membros introduziram controlos ou começaram a impedir a passagem de camiões nas suas fronteiras, o que coloca em risco o fluxo livre de suprimentos e medicamentos essenciais. Tais ações violam, não apenas os princípios do mercado interno, mas também colocam em risco a população europeia, atrasam a batalha efetiva contra o vírus SARS-Cov-2 e, principalmente, impõem uma pressão desnecessária aos profissionais de saúde.

“O impacto da proibição das exportações vai ser sentido pelos sistemas de saúde de todo o mundo, uma vez que as cadeias de suprimentos globais estão interligadas. Isto vai colocar desnecessariamente inúmeras vidas em risco. As instituições da UE e os governos devem agir rapidamente, apoiando o comércio livre e transporte de mercadorias, para permitir a livre circulação de suprimentos médicos em todas as regiões”, alertou o presidente da sociedade.

A ERS apela a todos os Estados-membros a agirem no melhor interesse da saúde pública europeia, respeitando sempre os princípios do mercado interno, em particular para os suprimentos que salvam vidas em outros Estados-membros em todas as linhas de assistência à saúde.

Thierry Troosters acrescentou: “apelamos à Comissão Europeia para promover plenamente as diretrizes recentemente adotadas sobre as fronteiras, de forma a garantir o mais possível o fluxo livre e facilitado dos dispositivos médicos essenciais e aplaudimos o sucesso muito recente no estabelecimento de corredores para o transporte de suprimentos médicos através das chamadas Green Lanes. Esperamos que os países respeitem as diretrizes da Green Lane e que garantam que esses corredores permaneçam intatos durante a pandemia.”

Deixar cair com violência o que é desnecessário e aproveitar a oportunidade
Editorial | Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
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Assaltar o desnecessário. Rasgar a burocracia. Rejeitar o desperdício. Anular a perda de tempo. As aprendizagens da pandemia serão uma ótima oportunidade para acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. O estado de emergência e o estado de calamidade ensinaram-nos muito! É necessário desconfinar o centro de saúde e reinventar o conceito com unidades de saúde aprendentes e inovadoras.

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