Covid-19: Medicina Familiar quer avaliações ao telefone em vez de consultas
DATA
31/03/2020 16:57:11
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Jornal Médico
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Covid-19: Medicina Familiar quer avaliações ao telefone em vez de consultas

A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) defendeu hoje que os centros de saúde devem atender as pessoas com a porta fechada, sendo as consultas substituídas por “avaliações sumárias” por telefone.

“Apenas os doentes previamente contactados pelo seu médico e com situação clínica inadiável deveriam ser atendidos presencialmente”, recomenda o presidente da APMGF, Rui Nogueira, num documento sobre a pandemia da Covid-19 enviado à agência Lusa.

No artigo, intitulado “Pede-se rigor rapidez e radicalismo em medidas corajosas”, o médico de Coimbra sublinha que os centros de saúde “deveriam rapidamente começar a atender com a porta fechada”.

“O conhecimento da história do doente pode ajudar-nos. A possibilidade de emissão de receituário em formato digital é um recurso incrivelmente útil e todos os meios de comunicação que temos hoje à nossa disposição são ajudas preciosas”, refere.

Para Rui Nogueira, “todas as pessoas deveriam permanecer em casa nos próximos dias ou semanas”, para ajudarem a conter a propagação do novo coronavírus.

“Ainda não temos equipamentos de proteção individual e é perigoso para nós e para os doentes assumirmos o contacto direto numa consulta presencial”, alerta o presidente da APMGF.

O especialista em Medicina Geral e Familiar adianta que “o contacto direto com doentes com suspeita ou já com diagnóstico de covid-19 – e ainda assim com as devidas precauções e proteções – apenas deveria ser possível nas áreas dedicadas a este atendimento”.

“Todos os outros doentes beneficiam mais e correm menos riscos se forem contactados por telefone pelo seu médico”, preconiza.

Ressalvando que acredita “na robustez do Serviço Nacional de Saúde e de todo o sistema de saúde”, Rui Nogueira considera “inevitável haver força política e determinação na aplicação das medidas preconizadas pelas autoridades”.

Deixar cair com violência o que é desnecessário e aproveitar a oportunidade
Editorial | Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
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Assaltar o desnecessário. Rasgar a burocracia. Rejeitar o desperdício. Anular a perda de tempo. As aprendizagens da pandemia serão uma ótima oportunidade para acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. O estado de emergência e o estado de calamidade ensinaram-nos muito! É necessário desconfinar o centro de saúde e reinventar o conceito com unidades de saúde aprendentes e inovadoras.

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