Isolamento social com apoio de proximidade e em segurança
DATA
03/04/2020 10:04:58
AUTOR
Jornal Médico
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Isolamento social com apoio de proximidade e em segurança

O futuro tem hoje 5 dias! Inacreditável! Quem é que tem agenda para mais de 5 dias? A pandemia COVID-19 alterou profundamente a vida quotidiana, a prestação de cuidados de saúde e a organização dos serviços de saúde está totalmente alterada. O isolamento social é a orientação primordial de confrontação da pandemia. Mas é necessário promover o apoio de proximidade essencial e aprender a fazê-lo em segurança.

Um vírus atrevido - SARS-CoV-2 - com origem na China invadiu o mundo em três meses. A 30 de janeiro é declarada pela OMS a Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional e a 11 de março de 2020 é feita a declaração de Pandemia. Em Portugal foi decretado o Estado de Emergência por Decreto do Presidente da República de 18 de março e renovado em 2 de abril. É assim assumida a complexidade de uma doença de expansão universal e valorizada uma infeção grave sem tratamento específico.

Há três características desta pandemia que interessa não esquecer e, antes de mais, importa realçar: a ultracontagiosidade deste vírus; a rapidez de progressão da doença com o possível agravamento clínico em poucas horas; e o atingimento inexorável de profissionais de saúde. De uma forma implacável e aparentemente silenciosa são atingidas comunidades de forma violenta como de uma guerra se tratasse, mas sem inimigo visível. “Fique em casa” é a mensagem mais importante passada no mês de março de 2020! E a maioria das pessoas respeita este princípio básico e essencial de isolamento social perante uma epidemia ultracontagiosa. Isolamento social e no domicílio, mas com apoio médico rigoroso e de proximidade, de modo a acompanhar a evolução clínica dos doentes. No balanço final o “fique em casa” terá um plano de destaque e será reconhecido!

Para promover o isolamento social e a proteção individual, de forma realista, foram fechadas fronteiras, encerradas escolas, adotadas medidas inovadoras de atendimento no comércio e nos transportes e até mesmo as unidades de saúde alteraram profundamente o seu funcionamento. A “aplicação de medidas extraordinárias e de caráter urgente de restrição de direitos e liberdades, em especial no que respeita aos direitos de circulação e às liberdades económicas”, como se escreve na regulamentação do Estado de Emergência, alteraram profundamente a vida pessoal, familiar, social, laboral e económica do país. Mais de um milhão de casos e mais de 50 mil óbitos. E toda a Europa está bloqueada, parada e com alguns dirigentes políticos contraditórios, atónitos e confusos!

Na Europa, em cada país, em cada região, em cada município é necessário e urgente manter medidas rigorosas de isolamento. O número de pessoas assintomáticas é incalculável e exige grande determinação das autoridades e a consciência de todos, começando pelos profissionais de saúde. Com o vírus em circulação na comunidade e tendo em conta a elevada contagiosidade, o que se pode esperar é uma transmissão fácil e rápida, nada semelhante ao que estamos habituados e ver.

O apoio de proximidade que os médicos e enfermeiros de família poderão dar é determinante nesta fase da pandemia e do isolamento. A relação que mantemos habitualmente com os nossos doentes e o conhecimento que temos da sua história clínica, assim como a personalização e continuidade de cuidados permitir-nos-ão beneficiar do conhecimento de cada caso e disponibilizar o melhor apoio.  O contacto telefónico e o uso da história e das prescrições em suporte digital adquirem grande valor e atenuam a distância e a ausência de presença física. Em caso de necessidade a consulta em presença física por estas semanas apenas é possível com medidas de segurança assumidas com precisão e inflexibilidade. Não é possível facilitar e aliviar ou atenuar o uso de equipamentos de proteção individual. Todos os recursos terão que ser usados de forma criteriosa para que a boa avaliação clínica permita os cuidados de saúde necessários na hora certa.  

Com apoio de proximidade, mas em segurança é possível vencer a pandemia com consequências mínimas. Há necessidade de aceitar a responsabilidade das alterações na prestação de cuidados de saúde e ter consciência que as medidas políticas e as orientações técnicas das autoridades de saúde são tanto mais efetivas quanto mais antecipadas e assumidas conseguirem ser.  Neste contexto é inevitável esperar a ajuda e a responsabilidade de todas as pessoas, procurando apoios e assumindo o estado social como paradigma incontornável.

Em Portugal temos visto o poder político a assumir as suas responsabilidades, os profissionais de saúde na linha da frente, o Serviço Nacional de Saúde a dar muito boa conta com o recado e a comunidade a recatar-se e a seguir as orientações.  E estamos a conseguir superar, até agora, a agressividade deste vírus atrevido e cruel. Todos juntos saberemos encontrar as melhores soluções e aguardar tranquilamente pela normalidade da vida quotidiana.

O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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