Covid-19: Mais 1.255 óbitos do que o esperado um mês após a primeira morte devido à doença
DATA
21/04/2020 19:07:30
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Jornal Médico
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Covid-19: Mais 1.255 óbitos do que o esperado um mês após a primeira morte devido à doença

Portugal registou, entre 16 de março e 14 de abril, um “excesso de mortalidade”. A informação é apresentada pelo Barómetro Covid-19 que mostra que, comparada com a mortalidade média diária dos últimos dez anos, houve mais 1.255 óbitos do que seria espectável.

Um mês após a primeira morte por Covid-19 registada em Portugal havia 1.8051 casos confirmados e 599 mortes associados à doença provocada pelo novo coronavírus, que corresponde a uma incidência cumulativa de cerca de 176 casos por 100 mil habitantes e a uma letalidade de 3,3%.

“Os meses de março e abril são, normalmente, meses com mortalidade mais baixa do que os meses anteriores, mas, em 2020, nota-se uma inversão dessa norma a partir de 11 de março, passando a registar-se um excesso de óbitos acima da média dos dez anos anteriores”, refere o estudo da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP).

O excesso de mortalidade afetou de “forma desproporcionada” os maiores de 75 anos, com mais 1.030 óbitos do que o expectável, sendo que nas pessoas com idades entre os 65 e os 74 anos foram apenas mais 67.

No que concerne à causa de morte, o estudo admite não ter sido possível fazer uma análise por grupo diagnóstico detalhado, uma vez que a base de dados do Sistema de Informação dos Certificados de Óbito disponível não inclui essa informação, fazendo apenas a destrinça entre causa natural e causas externas.

Na análise do excesso de mortalidade por causa natural – na qual se incluem os óbitos certificados por Covid-19 –, entre 16 de março e 14 de abril, registou-se um excesso de 1.281 óbitos de causa natural, ultrapassando o limite da média de óbitos dos últimos seis anos.

Relativamente às mortes que tinham sido estimadas, durante este período, para uma situação em que não houvesse epidemia, registou-se um excesso de 1.214. O estudo indica que 599 destes óbitos foram registados como Covid-19, o equivalente a 49% do total, e os restantes 615 por outras doenças.

Observou-se ainda um número inferior de mortes por causas externas – que inclui acidentes de viação –, comparativamente ao que seria de esperar, com base nas médias dos últimos dez anos.

Os investigadores apontam como explicação para esta redução as “severas limitações à mobilidade viária impostas pelas autoridades, no atual contexto da pandemia”.

Já na segunda semana de abril, o barómetro refere que “parece haver uma descida da mortalidade observada, compatível com um efeito das medidas de distanciamento social tomadas pelas autoridades desde meados de março, e da alta adesão da população portuguesa a essas medidas”.

A ENSP ressalva que as estimativas apresentadas no estudo “são conservadoras”, uma vez que uma parte dos óbitos por Covid-19 terão passado sem diagnóstico por falta de diagnóstico laboratorial”.

É também deixada a nota que “os óbitos esperados são influenciados pelos óbitos dos anos anteriores, e fevereiro e o início março de 2020 registaram mortalidades inferiores às dos anos anteriores”, além de se ter registado um “quase desaparecimento dos óbitos por causas externas”.

No período analisado pelo estudo da ENSP a análise do excesso de mortalidade baseou-se nos registos de mortalidade diária dos últimos dez anos, comparando a mortalidade observada com a esperada, usando intervalos de confiança de dois desvios padrão.

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