Covid-19: Ex-ministro da Saúde diz que pandemia mostrou aos países que devem ter sistemas de saúde públicos
DATA
23/04/2020 13:42:07
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS




Covid-19: Ex-ministro da Saúde diz que pandemia mostrou aos países que devem ter sistemas de saúde públicos

O ex-ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes considera que os países aprenderam com a pandemia a importância de ter sistemas de saúde de acesso universal: seja para responder a situações inesperadas, ou às necessidades da população.

“As lições que se tiram deste período ultrapassam em muito a dimensão nacional, são lições globais porque em grande medida, na maior parte do países, fica claro o apelo que a Organização Mundial de Saúde [OMS] tem vindo a fazer há muitos anos de se implementarem sistemas de cobertura geral e de acesso universal”, afirmou Adalberto Campos Fernandes, em entrevista à agência Lusa.

O médico e antigo ministro da Saúde (entre 2015 e 2018) afirmou que, na Europa, os países que têm respondido melhor à pandemia são os que “tinham uma reserva funcional positiva dos seus sistemas de saúde”.

“Quando eu falo de sistemas de saúde não falo apenas da componente de prestação de cuidados, porque nesta matéria é também muito importante a dimensão da saúde pública como componente do sistema que aborda as questões a montante no controlo da transmissão das doenças e da sua monitorização”, explicou.

Salientou também que “não há dúvida nenhuma de que, olhando para o mundo, para os Estados Unidos, Reino Unido, para França, Itália para Espanha, rapidamente todos os governos perceberam a importância de ter sistemas de saúde de raiz pública com uma forte componente pública que respondam por situações destas, que são situações inesperadas e de pandemia, mas também pelas respostas às necessidades de saúde dos cidadãos”.

Na sua visão, os Estados têm de considerar que “a saúde não é, de facto, uma despesa inútil, que é um fortíssimo investimento, até na economia”.

“Nós temos a economia parada, temos um risco de uma recessão económica brutal temos perspetivas de desemprego, de quebra de rendimentos e tudo isto por razões sanitárias”, destaca.

O ex-governante diz acreditar que vai existir uma mudança de paradigma a nível global, desde a Europa, e que chegará também aos Estados Unidos, que são, aliás, apontados como “o exemplo concreto” do que é um país que não tem um sistema de saúde estruturado, bem organizado, capaz de responder às necessidades das pessoas.

Neste sentido, afirma que é “absolutamente inadmissível” assistir-se à morte de pessoas por falta de assistência médica derivada da ausência de cobertura financeira.

O especialista em saúde pública, referiu ainda que após esta pandemia vai haver muitas mudanças, apontando “a relação social, o funcionamento das instituições e a prestação de cuidados de saúde irão ser diferentes” como exemplos.

COVID e não-COVID: Investimentos para resolver novos e velhos problemas
Editorial | Rui Nogueira, Médico de Família e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
COVID e não-COVID: Investimentos para resolver novos e velhos problemas

Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. O estado de emergência terminou e o estado de calamidade passou, mas o problema de saúde mantem-se ativo. É urgente encontrar uma visão inovadora e adotar uma nova estratégia. As unidades de saúde precisam de encontrar respostas adequadas e seguras.

Mais lidas