Sociedade Portuguesa do AVC lança recomendações para tratamento durante a pandemia
DATA
23/04/2020 18:14:57
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Jornal Médico
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Sociedade Portuguesa do AVC lança recomendações para tratamento durante a pandemia

A Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC) publicou um documento com orientações para a atividade dos profissionais de saúde ligados ao tratamento do AVC agudo, no contexto da pandemia de Covid-19.

O objetivo, explica a direção da SPAVC, passa por promover a manutenção de cuidados adequados aos doentes com AVC nesta situação pandémica, através de um conjunto de recomendações dirigidas aos hospitais, centros de tratamento de AVC (primários e compreensivos) e profissionais de saúde da área.

Na ótica da SPAVC, o esforço de resposta à pandemia no Serviço Nacional de Saúde está a ter um “impacto negativo” no funcionamento da Via Verde para o AVC e na “capacidade da população em diferenciar uma situação emergente, como um AVC, de uma situação potencialmente urgente, como é a infeção por SARS-CoV-2”.

Neste sentido, a associação revela estar preocupada com o impacto “potencialmente dramático” que este facto terá nas taxas de mortalidade global do País, bem como no estado funcional dos doentes com AVC”.
Partindo deste cenário, considerado “alarmante”, foi feita uma reunião virtual, com os profissionais intervenientes nas diferentes etapas de cuidados aos doentes, na qual foram alcançados “alguns consensos e conclusões gerais, a partir das quais a SPAVC emite o referido documento”.

Os elementos da direção referem que os 11 eixos de atuação prioritários para manter os cuidados prestados aos doentes, presentes no documento, procuraram “uniformizar o tratamento atual do AVC por todo o País, naqueles que são os pontos essenciais a avaliar, mas com a flexibilidade necessária para que cada equipa possa adaptar os procedimentos à sua realidade local”, apontam os elementos da Direção.

As linhas orientadoras delineadas por esta sociedade médica foram as seguintes: manter o acesso e tratamento aos doentes com AVC, “protegendo” a Via Verde AVC; aumentar o esforço de registo e análise de dados sobre a atividade de cada centro; avaliar procedimentos: tratamento agudo do AVC e teste para SARS-CoV-2; reorganizar os centros para assegurar o tratamento endovascular; garantir a adequada proteção dos médicos; reforçar a sensibilização da população; desenvolver esforços para receitas renováveis para anticoagulantes orais; permitir o retorno aos cuidados pós-agudos do AVC (acesso à reabilitação); manter o controlo dos Fatores de Risco Vasculares pré e pós AVC; recuperar as consultas de doenças cerebrovasculares após internamento; e promover a comunicação constante entre pares.

A SPAVC relembra ainda que o AVC continua a ser a principal causa de mortalidade e incapacidade permanente em Portugal – “ocorrendo com a mesma prevalência e gravidade, mesmo perante a propagação da Covid-19” – e frisa a necessidade de agir de imediato perante um dos sinais de alerta de AVC.

O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
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Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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