Uma em cada 10 crianças com 13 meses de idade em Portugal não tinham, no final do ano passado, qualquer vacina contra o sarampo, indica o relatório do Programa Nacional de Vacinação (PNV).
O documento, que faz uma avaliação do cumprimento do PNV em 2019, revela que, aos 13 meses de idade, 14% das crianças ainda não tinham iniciado a vacinação contra o sarampo, nem contra a doença invasiva meningocócica do grupo C, que devem ser administradas aos 12 meses.
“Este facto coloca as crianças desta idade em risco de surtos de sarampo, se contactarem com casos, uma vez que estão, na sua maioria, juntas em creches, sem beneficiarem da imunidade de grupo, conferida a partir de uma cobertura de 95%”, lê-se no relatório divulgado pela Direção Geral de Saúde (DGS).
A coordenadora do PNV, Teresa Fernandes, afirmou à agência Lusa que, apesar da doença meningocócica não costumar manifestar-se sob a forma de surtos, “é uma doença muito grave nas crianças pequenas” e “quanto mais cedo estiverem imunizadas melhor”.
“Nós temos imunidade de grupo para a doença meningocócica C, mas aos 12 meses devem vacinar-se o mais cedo possível, para não ficarem suscetíveis”, referiu a responsável, acrescentado: “O mesmo acontece para o sarampo, mas para o sarampo é pior, pois é muito mais contagioso e pode gerar surtos. Temos sarampo por toda a Europa e nos quatro campos do mundo e isso não se pode mesmo descurar”.
A DGS sublinha, por isso, a importância de “melhorar a vacinação atempada para a 1.ª dose do esquema recomendado” para o sarampo.
Por outro lado, em 2019, a cobertura vacinal subiu para a segunda dose do sarampo.
Neste ponto, Teresa Fernandes explicou que Portugal está bem e que conseguiu, em 2019, “aumentar as taxas para algumas vacinas, como o sarampo, pois a segunda dose [que deve ser tomada aos 5 anos] já vai nos 96 ou 98% [de cobertura], ultrapassando a 95%”, que é quando se atinge a imunidade de grupo.
Os últimos meses foram vividos por todos nós num contexto absolutamente anormal e inusitado.
Atravessamos tempos difíceis, onde a nossa resistência é colocada à prova em cada dia, realidade que é ainda mais vincada no caso dos médicos e restantes profissionais de saúde. Neste âmbito, os médicos de família merecem certamente uma palavra de especial apreço e reconhecimento, dado o papel absolutamente preponderante que têm vindo a desempenhar no combate à pandemia Covid-19: a esmagadora maioria dos doentes e casos suspeitos está connosco e é seguida por nós.