Covid-19: Instituto Gulbenkian de Ciência faz testes a mil profissionais de saúde
DATA
28/04/2020 17:02:47
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Jornal Médico
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Covid-19: Instituto Gulbenkian de Ciência faz testes a mil profissionais de saúde

O Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) iniciou a realização de testes à Covid-19 em mil profissionais de saúde dos hospitais Egas Moniz, Santa Cruz e São Francisco Xavier, em Lisboa, e Fernando Fonseca, na Amadora.

A iniciativa pretende chegar aos três mil profissionais de outros Centros Hospitalares e Agrupamentos de Centros de Saúde do País, que, além de testados, vão ser monitorizados de três em três semanas, por um período de pelo menos três meses.

De acordo com o IGC, a informação recolhida será “crucial para proteger e cuidar destes profissionais, gerir equipas e serviços, e garantir a sustentabilidade da prestação de cuidados de saúde”.

Simultaneamente, procura reunir informação para preparar a resposta do País para outras possíveis vagas de infeção.

A impulsionar o estudo está a alta taxa de casos assintomáticos com a Covid-19, que tem representado um “enorme desafio” na contenção da pandemia, considerando que “uma grande proporção da transmissão ocorre em pessoas que não sabem que estão doentes”.

Neste sentido, o IGC considera que é crítico testar e monitorizar a infeção em meio hospitalar, porque os profissionais de saúde, “que estão na frente de resposta, têm sido muito afetados por este fator determinante”, podendo ser contagiados ou contagiar outros.

“É um grupo muito exposto e a nossa intervenção vai além do diagnóstico: vamos monitorizar a transmissão e a resposta imunitária”, explica a diretora do IGC, Mónica Bettencourt Dias, acrescentando que estes dados “são fundamentais para identificar quais os profissionais de saúde expostos e infetados pelo vírus, permitindo, assim, aos hospitais afinar as suas estratégias”.

O investigador do IGC e um dos coordenadores do estudo, Carlos Penha Gonçalves, sublinha que os dados vão também “permitir ver se as pessoas que já foram infetadas têm anticorpos, por quanto tempo e se são resistentes a novas infeções”.

Uma vez que nos hospitais há médicos, enfermeiros, técnicos, assistentes no serviço de urgência, no pré-hospitalar, nas enfermarias e nas Unidades de Cuidados Intensivos dedicados apenas a doentes Covid-19, a presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, Rita Perez, considera que este projeto “será uma oportunidade para testar os profissionais voluntariamente, aferir o seu grau de exposição e de imunidade”.

“Estamos muito interessados em participar, desde o primeiro momento, como forma de proteção aos que fazem efetivamente a diferença nesta pandemia”, reforça.

Já o presidente de Conselho de Administração do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, Marco Ferreira, realça que o estudo “representa um importante incremento na capacidade de testagem para o SARS-CoV-2 do hospital”. Aponta-o também como uma “uma colaboração dinâmica e sinérgica entre ambas as instituições, promovendo o desenvolvimento de projetos de investigação científica e clínica, uma das áreas estratégicas do desenvolvimento do hospital”.

Para o Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, é “fundamental” testar os profissionais, mesmo antes de estes terem sintomas. “Se não protegermos quem está a tratar, estamos a expor ainda mais os profissionais de saúde e as outras pessoas”, afirma.

Crónicas de uma pandemia anunciada
Editorial | Jornal Médico
Crónicas de uma pandemia anunciada

Era 11 de março de 2020, quando a Organização Mundial de Saúde declarou o estado de Pandemia por COVID-19 e a organização dos serviços saúde, como conhecíamos até então, mudou. Reorganizaram-se serviços, redefiniram-se prioridades, com um fim comum: combater o SARS-CoV-2 e evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde, que, sem pandemia, já vivia em constante sobrecarga.

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