Médico psiquiatra Miguel Bajouco premiado por projeto para melhorar tratamento de psicoses
DATA
29/04/2020 14:18:02
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Jornal Médico
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Médico psiquiatra Miguel Bajouco premiado por projeto para melhorar tratamento de psicoses

O médico psiquiatra e investigador de Coimbra Miguel Bajouco foi hoje premiado com a bolsa D. Manuel de Mello pela sua investigação para melhorar o tratamento de psicoses, aliando técnicas de neuroimagem com inteligência artificial.

Numa cerimónia online, Miguel Bajouco recebeu uma bolsa no valor de 50 mil euros, promovida pela Fundação Amélia de Mello, CUF e José de Mello Saúde, e destinada a premiar a investigação de jovens médicos.

O projeto, designado ​“Neuroimagem multimodal no Primeiro Episódio Psicótico: a procura por biomarcadores de resposta ao tratamento”, está inserido na sua tese de doutoramento na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, e tem como objetivo melhorar o prognóstico e a qualidade de vida das pessoas que sofrem de doenças mentais graves, como a esquizofrenia. 

Liderado por Miguel Bajouco, pretende investigar, através de métodos de Inteligência Artificial e de técnicas de neuroimagem, como a Ressonância Magnética e a PET (Tomografia por Emissão de Positrões), as diferenças na conetividade e química do cérebro dos doentes, desde o primeiro episódio da doença, “​por forma a ​identificar biomarcadores que poderão indicar precocemente o tratamento mais  adequado e personalizado para cada doente, ​contribuindo, assim, para a melhoria do prognóstico e qualidade de vida de quem sofre destas doenças”.

Miguel Bajouco, em declarações à agência Lusa, referiu que "30 a 40% [das pessoas que têm o primeiro episódio psicótico] não responde aos tratamentos de primeira linha”.

“Ao não responderem, estarão mais tempo com uma menor funcionalidade e mais dificuldades em ter uma vida proveitosa e conseguir trabalhar", acrescenta, explicando que quando os tratamentos de primeira linha não funcionam, os médicos acabam por seguir uma metodologia de tentativa e erro.

Esclarece, por isso, que o projeto pretende ajudar a definir e clarificar qual o melhor tratamento para doentes que não respondam aos tratamentos de primeira linha.

Para isso, a investigação pretende acompanhar vários doentes com um primeiro episódio psicótico, recorrendo às ressonâncias magnéticas e PET, com o intuito de estudar o cérebro dos pacientes.

"Queremos perceber se existem diferenças entre os doentes que respondem aos tratamentos de primeira linha e os que não respondem, e procurar padrões que permitam distinguir um grupo e outro", afirmou Miguel Bajouco, explicando que o projeto vai recorrer à inteligência artificial e desenvolver um algoritmo que permita fazer previsões dos tratamentos mais adequados com base nos dados recolhidos.

Ao fim de seis meses, os doentes vão voltar a fazer as imagens para se ver o efeito do tratamento na biologia cerebral, com o objetivo de "estratificar os doentes, de acordo com o que será o melhor tratamento" para cada um deles.

Miguel Bajouco começou a sua tese de doutoramento em 2017 e a fase de investigação este ano, esperando terminar dentro de três anos.

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Editorial | Jornal Médico
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