Covid-19: Colheita de plasma de doentes recuperados arranca este mês em Portugal
DATA
04/05/2020 17:49:04
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Jornal Médico
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Covid-19: Colheita de plasma de doentes recuperados arranca este mês em Portugal

Começa este mês, em Portugal, a colheita de plasma de sangue de doentes recuperados de Covid-19, em dez unidades nacionais. O anúncio foi feito hoje pelo Secretário de Estado da Saúde.

Os critérios para a participação em ensaios clínicos com plasma convalescente são coordenados pelo Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), e envolvem a Direção-Geral da Saúde (DGS), o Infarmed, o Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge e o Instituto de Medicina Molecular de Lisboa.

“É preciso continuar a procurar soluções, estamos também a fazer a nossa parte e agradeço aos nossos investigadores”, afirmou Lacerda Sales, na conferência de imprensa das autoridades de saúde sobre a evolução da pandemia.

O governante destacou que a transmissão de plasma convalescente já foi feita noutros países, nomeadamente na China, com “bons resultados”.

Presente na conferência, a presidente do IPST, Maria Antónia Escoval, sublinhou que a terapêutica não só foi usada na China “com eficácia”, como estão a ser desenvolvidos ensaios com plasma convalescente em vários países da Europa, nomeadamente Espanha, Itália, França, Alemanha, Holanda e Bélgica, e também nos EUA.

“A Organização Mundial de Saúde recomenda a sua utilização”, frisou.

Assim, o Instituto Português do Sangue e da Transplantação desenvolveu um procedimento que envolve a seleção dos dadores, dos doentes recuperados, a colheita, a análise, o processamento e a distribuição deste plasma através dos serviços de imunoterapia dos hospitais.

“Estarão envolvidos nesta colheita, além dos três centros de sangue e de transplantação do IPST, mais sete serviços em hospitais portugueses”, especificou.

“Relativamente ao recrutamento destes dadores, como sabem a dádiva de sangue em Portugal é anónima, benévola e voluntária e, portanto, estará disponível no site do IPST um ‘link’ onde todos os doentes recuperados podem, a partir de hoje, disponibilizar-se para fazer a sua dádiva de plasma convalescente”, acrescentou.

Maria Antónia Escoval expressou ainda o “enorme esforço e enorme satisfação” de Portugal conseguir ter testes para a quantificação de anti-corpos neutralizantes.

“Esta quantificação é essencial, assim como o volume transferido para a eficácia desta terapêutica”, salientou.

O grupo de trabalho irá definir os critérios mínimos de inclusão nestes ensaios clínicos e “tudo o restante que envolve esta terapêutica, nomeadamente volumes a transfundir, doentes a incluir nestes ensaios”.

Neste grupo, serão também chamados a participar médicos de várias instituições hospitalares.

Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro
Editorial | Conceição Outeirinho
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