Covid-19: Número de doentes malnutridos aumenta durante a pandemia, alerta a APNEP
DATA
19/05/2020 09:48:33
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Jornal Médico
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Covid-19: Número de doentes malnutridos aumenta durante a pandemia, alerta a APNEP

A Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica (APNEP) alerta para o “drástico aumento” do número de doentes em situação de carência nutricional, durante a pandemia e aponta uma falta de acompanhamento dos doentes, após alta hospitalar.

“A dimensão de doentes malnutridos que se encontram no ambulatório, ou domicílio, sem qualquer tipo de acesso à nutrição clínica, aumentou de forma drástica durante esta pandemia”, afirma o presidente da APNEP, Aníbal Marinho.

Sublinha ainda que “se antes da Covid-19, a realidade destes doentes já era preocupante, agora, é ainda mais, sobretudo no domicílio, ou ambulatório, onde não há qualquer tipo de acompanhamento”.

Neste sentido, é recordado um estudo publicado pelo Grupo de Estudos de Medicina Interna da APNEP, no início do ano, que refere que 73% doentes internados em Medicina Interna estão malnutridos, sendo que desses 56% apresentam malnutrição moderada e 17% malnutrição grave.

Aníbal Marinho considera que, atualmente, a dimensão de casos seja muito superior e revela que a APNEP, em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, está a realizar um novo estudo que permitirá retratar a situação destes doentes durante a Covid-19.

O Presidente da APNEP acusa as entidades de saúde de se terem esquecido destes doentes , durante a pandemia: “Muitos destes doentes agravam o seu estado nutricional ainda durante o internamento e, quando têm alta, saem sem qualquer apoio do Estado para manter a nutrição clínica em casa”.

“É urgente criar linhas de apoio para estes doentes, de forma a evitar que voltem para os hospitais em pior estado clínico do que estavam e acabem por lá falecer. A verdade é que ninguém pensou ou planeou o acompanhamento destes doentes numa altura tão crítica como esta que vivemos”, defende.

A APNEP adverte também para a falta de nutricionistas a trabalhar nos hospitais e nos centros de saúde, para a escassa informação sobre nutrição, nos serviços de saúde, e para a falta de formação dos profissionais de saúde, levando a que os processos de referenciação destes doentes sejam “ainda mais complexos”.

Anualmente, são mais de 115 mil os casos de doentes no domicílio em risco nutricional, que precisam de apoio nutricional com recurso a nutrição clínica (entérica e parentérica) e estima-se que dois em cada quatro doentes internados, em Portugal, estejam em risco nutricional, valores que representam o dobro da média europeia (1 em cada 4).

Esta condição clínica está “fortemente” associada ao aumento da mortalidade e morbilidade, ao declínio funcional, e à permanência hospitalar prolongada, levando a um aumento dos custos em saúde para o Estado, conclui a APNEP.

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Editorial | Jornal Médico
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