Covid-19: Milhões de profissionais de 90 países exigem mais investimento em saúde pública e ambiente
DATA
26/05/2020 17:05:45
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS




Covid-19: Milhões de profissionais de 90 países exigem mais investimento em saúde pública e ambiente

Profissionais de saúde de 90 países exortaram hoje os líderes mundiais a darem prioridade à saúde pública e às questões ambientais nos programas de recuperação e de investimento a desenvolver na sequência da atual pandemia.

O apelo consta numa carta dirigida aos líderes do G20 (grupo dos 20 países mais ricos e emergentes do mundo), que foi assinada por mais de 40 milhões de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde representados por 200 organizações oriundas de 90 países.

É necessário "dar prioridade aos investimentos na saúde pública, para um ar limpo, água potável e para um clima estável nos pacotes de recuperação económica que estão atualmente em análise”, defenderam os signatários da carta, dos quais muitos deles se encontram na linha da frente do combate à pandemia da doença Covid-19.

Sob o lema “ao serviço da comunidade médica e de saúde do mundo”, a missiva foi promovida e apoiada pelas organizações Global Climate and Health Alliance, Every Breath Matters e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo as agências internacionais, que destacam que esta iniciativa é a maior mobilização global no campo da saúde desde a assinatura em 2015 do Acordo de Paris para combater as alterações climáticas, várias outras organizações de peso internacional assinaram a carta, entre elas, a Associação Médica Mundial, o Conselho Internacional de Enfermeiros, a Organização Mundial de Médicos de Família ou a Federação Mundial de Associações de Saúde Pública.

Os líderes mundiais "precisam de aprender com os erros cometidos durante esta pandemia", afirmaram os profissionais, salientando que os planos a traçar devem ter como objetivo a formação de “um mundo mais forte, saudável e mais resiliente perante novas crises”.

“Não se trata apenas de saúde, mas também de garantir que os programas de recuperação a aplicar abordem os problemas climáticos com possíveis grandes impactos na saúde humana e do planeta”, destacaram os signatários.

Os futuros investimentos “devem reduzir a poluição do ar e as emissões que provocam o aquecimento global, que prejudicam a saúde humana, e devem criar maior resiliência a futuras pandemias e, ao mesmo tempo, criar empregos sustentáveis”, referiu o mesmo documento, salientando ser “fundamental” que os governantes escutam e envolvam os médicos e os cientistas na preparação dos planos de recuperação.

“As decisões sobre estímulos económicos devem ter em consideração as avaliações médicas e científicas e como essas mesmas decisões terão impacto, a curto e a longo prazo, na saúde pública”, prosseguiu a carta.

A atual pandemia, segundo os signatários, “colocou médicos, enfermeiros e profissionais de saúde em situações de angústia perante a morte, a doença e distúrbios mentais que não eram vividas em décadas".

Vários milhares de profissionais de saúde em todo o mundo foram ou estão infetados com o novo coronavírus e muitos deles constam entre as vítimas mortais da atual pandemia.

Para os profissionais, a dimensão da atual crise “poderia ter sido parcialmente mitigada com os investimentos adequados”, designadamente “na preparação de pandemias, na saúde pública e na gestão ambiental”.

Durante as próximas reuniões do G20, do G7 (sete países mais ricos do mundo), do Conselho Europeu, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, os líderes mundiais “têm a oportunidade de colocar (…) a saúde pública no centro de todos os esforços de recuperação”, destacou ainda o documento.

“Vai depender de como e para onde serão destinados os milhões de biliões que estão a preparar para injetar na economia mundial", concluiu o texto.

É urgente desburocratizar os Cuidados de Saúde Primários
Editorial | Jornal Médico
É urgente desburocratizar os Cuidados de Saúde Primários

Neste momento os CSP encontram-se sobrecarregados de processos burocráticos inúteis, duplicados, desnecessários, que comprometem a relação médico-doente e que retiram tempo para a atividade assistencial.