Bastonário da Ordem dos Médicos pede que se deixe de ter medo de ir aos hospitais
DATA
27/05/2020 17:09:45
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Jornal Médico
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Bastonário da Ordem dos Médicos pede que se deixe de ter medo de ir aos hospitais

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, apelou hoje às pessoas para que "deixem de ter medo" e vão aos hospitais, porque estes "asseguram a qualidade do serviço" e "diferentes vias para doentes covid e não covid".

"Em primeiro lugar, continuem a cumprir as regras definidas pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e deixem de ter medo. O medo, neste momento, mata mais do que outra coisa qualquer. As pessoas que têm consultas marcadas, exames auxiliares de diagnóstico, cirurgias programadas devem comparecer nos seus hospitais", disse Miguel Guimarães.

O bastonário frisou que "os hospitais asseguram a qualidade do serviço, asseguram vias diferentes de doentes covid e não covid" e apontou que existem tratamentos atrasados, o que, "em algumas doenças, pode ser fatal".

"Gostava de deixar este apelo, porque não se pode apelar apenas à ida ao restaurante. É ir aos hospitais. Há muita gente a precisar de tratamento que estão a ficar atrasados e cada dia a mais de atraso pode ter consequências ao nível da morbilidade e ao novel da mortalidade", destacou.

O bastonário da OM falava aos jornalistas à margem da assinatura de um protocolo com a Associação Empresarial de Portugal (AEP), que visa angariar donativos criar um novo Centro de Infecciologia no Hospital de São João (HSJ), no Porto.

Esta iniciativa surge no âmbito da "SOS - Coronavírus", uma campanha criada pela AEP em março que tem como objetivo a angariação de fundos, cujos montantes são atribuídos atendendo às necessidades existentes no País, num processo articulado com a OM.

"Esta pandemia dá-nos um conjunto de lições, mas a principal lição que dá é que a saúde é demasiado importante para ser esquecida pelos vários Governos, seja da Europa, seja do resto do mundo, nomeadamente pelo Governo português. Espero que quem tem poder político tenha percebido que é fundamental investir na saúde", afirmou Miguel Guimarães.

O bastonário sublinhou o facto de a "saúde ter a capacidade" de, "quando acontecem coisas deste género", por "o País inteiro a mexer" e, acrescentou, "por as pessoas a falar da TAP, das empresas, dos layoffs, de tudo, desde a educação à justiça e obviamente à economia".

"Este é o momento de começarmos todos a ajudar. É importante que todas as pessoas da sociedade civil e, obviamente, os governos invistam no Serviço Nacional de Saúde. Percebemos que o impacto negativo que uma crise destas – e estas crises vão acontecer mais vezes – tem na economia pode ser desastroso para todos nós", salientou.

Também questionado sobre o aumento de casos de infeção associado ao novo coronavírus na zona de Lisboa e Vale do Tejo, Miguel Guimarães disse que deve ser encarado de forma natural

"Apesar de tudo o que tem acontecido no País, nesta fase, é mais ou menos uma constância no número de casos de infetados e o número de mortes até tem vindo a diminuir gradualmente. Isto vai ser assim durante mais algum tempo, não é sinal de alarme", referiu

Para o bastonário "é natural que no Norte os casos diminuam e é possível que na região da Grande Lisboa os casos possam subir um bocadinho".

"Até porque as ligações que existem entre Lisboa e o resto do mundo são muito fortes e apareçam casos que estavam por diagnosticar", concluiu.

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