Covid-19: Plataforma Saúde em Diálogo reclama estratégia para a retoma dos cuidados de saúde
DATA
29/05/2020 19:55:12
AUTOR
Jornal Médico
Covid-19: Plataforma Saúde em Diálogo reclama estratégia para a retoma dos cuidados de saúde

A Plataforma Saúde em Diálogo e 17 associações de doentes crónicos divulgaram, hoje, uma posição comum, em que pedem às autoridades de saúde que elaborem uma estratégia de segurança para a retoma dos cuidados de saúde hospitalares.

A iniciativa “Juntos por cuidados de saúde mais próximos e em segurança”, apoiada por Ana Paula Martins e Miguel Guimarães, bastonários das Ordens dos Farmacêuticos e dos Médicos, respetivamente, apela para "um acesso uniformizado aos medicamentos hospitalares" que evite "iniquidades territoriais ou sociais", sugerindo, para isso, que o acesso gratuito a esses medicamentos através da Operação Luz Verde – que termina a 31 de maio – deve ser renovado de forma a assegurar a manutenção dos tratamentos, assim como evitar a progressão ou agravamento de muitas doenças.

Em comunicado, a Instituição Particular de Solidariedade Social refere que “é importante continuar a assegurar que os cidadãos têm acesso aos seus medicamentos a tempo e horas, evitando que interrompam a sua terapêutica habitual e as complicações associadas a essa descontinuação, evitando ao mesmo tempo deslocações desnecessárias às unidades de saúde".

Apoiando-se nos resultados preliminares do estudo de impacto efetuado aos doentes abrangidos pela Operação Luz Verde, a plataforma refere que "não existe margem para dúvidas sobre o benefício deste tipo de medidas integradas num modelo colaborativo" que fez chegar medicação a cerca de 500 mil doentes.

"Consideramos fundamental que se garanta a continuidade deste acesso de proximidade aos medicamentos hospitalares no período pós-covid-19, a pedido do utente, pelo impacto positivo para as pessoas com doença e seus cuidadores, evitando a descontinuação da terapêutica e contribuindo também para a sua qualidade de vida, ao reduzir gastos, deslocações desnecessárias e o impacto das faltas laborais, o que se traduz também em ganhos visíveis para o Estado", argumenta a Plataforma Saúde em Diálogo.

Num segundo ponto do comunicado, a iniciativa que reúne os contributos de 17 associações de doentes foca-se no tema da segurança no acesso às unidades de saúde, sublinhando que "é urgente definir uma estratégia imediata que devolva a confiança e a segurança aos cidadãos".

Para isso, entre outras medidas, propõe uma aposta na comunicação direta com os utentes, o estabelecimento de critérios clínicos de prioridade para o retomar da atividade, a adaptação de horários e de espaços tendo em consideração as medidas de proteção e segurança a adotar e da implementação de medidas proteção e segurança nos cuidados de saúde presenciais, assim como o recurso à telemedicina para seguimento de doentes crónicos em determinados casos.

"Será, igualmente, uma oportunidade para equacionar, a curto e médio prazo, a possibilidade da transição de tratamentos realizados em contexto ambulatório para unidades de proximidade ou unidades de hospitalização domiciliária, alargando os benefícios identificados por este tipo de resposta à administração de terapêutica habitual e pontualmente realizada em contexto hospitalar", termina.

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