Covid-19: FNAM aponta sobrecarga de trabalho dos médicos durante a pandemia
DATA
15/06/2020 09:52:02
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Jornal Médico
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Covid-19: FNAM aponta sobrecarga de trabalho dos médicos durante a pandemia

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) avançou que, durante o Estado de Emergência, houve uma “enorme sobrecarga” de trabalho para os médicos. Pede, agora, ao Ministério da Saúde que efetive a delimitação de períodos nos horários de todos os médicos para a atividade assistencial, presencial e não presencial, bem como para a atividade não assistencial, "que sejam realistas".

Considerando que se multiplicaram as consultas programadas ou de doença aguda via telefone ou e-mail e as solicitações de telecontacto por parte dos utentes, a FNAM sublinha que a sobrecarga é "transversal a todas as especialidades hospitalares e aos Cuidados de Saúde Primários”.

No caso dos médicos de família, a federação refere que, além do seguimento regular dos utentes e das tarefas de vigilância de saúde e rastreio, foi ainda incluído o seguimento de utentes com suspeita ou confirmação de Covid-19 (Trace COVID-19).

Neste sentido, frisa que a pandemia resultou num prolongamento não remunerado das suas atividades, “muito além do normal horário de trabalho” e numa redução do tempo em que é realizado cada ato assistencial, presencial ou não presencial, o que “compromete a segurança e a qualidade dos atos médicos prestados”.

“Apesar de justificável e necessária, a previsível manutenção desta situação a médio prazo, com alargamento da atividade assistencial não presencial, assim como a solicitação de atos médicos por vias sem regulamentação ainda definida, associada à acumulação de necessidades e exigências por parte dos doentes, levou a uma situação verdadeiramente insustentável nas várias unidades de saúde”, lê-se no comunicado enviado pela FNAM.

Face a estas situações e numa altura em que “as equipas receberam ordem para recuperar a atividade assistencial não realizada durante as semanas do Estado de Emergência, sem previsão de qualquer mecanismo para tornar possível esta recuperação”, a federação considera urgente que o Ministério da Saúde efetive a delimitação de períodos nos horários de todos os médicos para a atividade assistencial, presencial e não presencial, bem como para a atividade não assistencial, que sejam realistas e permitam dedicar tempos de consulta adequados e em conformidade com o definido pela Ordem dos Médicos.

A atribuição de tempo para a gestão da lista de utentes dos médicos de família, “fundamentais num momento de reorganização dos serviços”, faz também parte do pedido da FNAM, ao qual se junta um programa de recuperação de consultas e atividade em atraso nas várias especialidades médicas, que permita “dar resposta atempada às necessidades dos utentes, garantindo a qualidade da atividade assistencial, evitando a sobrecarga e esgotamento de todos os médicos”.

Ao Ministério da Saúde é ainda pedida a contratação e a fixação de médicos especialistas de modo a reforçar de forma sustentada a recuperação das listas de espera em particular e o Serviço Nacional de Saúde em geral.

Crónicas de uma pandemia anunciada
Editorial | Jornal Médico
Crónicas de uma pandemia anunciada

Era 11 de março de 2020, quando a Organização Mundial de Saúde declarou o estado de Pandemia por COVID-19 e a organização dos serviços saúde, como conhecíamos até então, mudou. Reorganizaram-se serviços, redefiniram-se prioridades, com um fim comum: combater o SARS-CoV-2 e evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde, que, sem pandemia, já vivia em constante sobrecarga.

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