#SOSSNS: Movimento tem apoio de Ordens profissionais e reforça necessidade de fortalecer o SNS (atualizada)
DATA
16/06/2020 10:56:02
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Jornal Médico
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#SOSSNS: Movimento tem apoio de Ordens profissionais e reforça necessidade de fortalecer o SNS (atualizada)

#SOSSNS. Assim se intitula o movimento “cívico e apartidário” lançado hoje, por um grupo de pessoas da área da Saúde, que pretende reforçar a necessidade de fortalecer o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Para isso, apresentou 10 medidas urgentes na área da saúde em Portugal como atribuir, num ano, médico de família aos 700 mil cidadãos que ainda não o têm.

A iniciativa conta com o apoio das Ordens dos Médicos e dos Farmacêuticos e “está aberta a toda a gente”, tendo como objetivo o fortalecimento do SNS, “particularmente neste momento em que, em cenário ainda de pandemia, o Orçamento Suplementar do Estado está em discussão na Assembleia da República”.

As medidas hoje apresentadas passam por “aumentar o acesso a todos os cuidados de saúde” e através de um “programa excecional” recuperar num ano a atividade prejudicada pela Covid-19 e cumprir os Tempos Máximos de Resposta Garantidos em todas as especialidades.

“São medidas que há muitos anos estão a ser propostas não só pelos profissionais, pelas associações de pessoas que vivem com a doença, pelos agentes políticos e que têm sido debatidas de forma muito alargada pela sociedade portuguesa, mas tardam em concretizar-se”, afirmou a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins.

Outra das medidas propostas é, no prazo de seis meses, aperfeiçoar a integração entre cuidados de saúde de proximidade e hospitalares, encurtando o tempo de espera de doentes prioritários e evitando idas desnecessárias aos hospitais.

Integrar e expandir a hospitalização domiciliária, capacitar e organizar o SNS para ter como resposta complementar, em situações específicas, a medicina à distância, monitorizar com mais frequência alguns doentes crónicos, garantir a proximidade na dispensa de medicamentos e o acesso à inovação terapêutica e tecnológica são outras medidas defendidas no manifesto.

O movimento propõe ainda o “projeto 10 milhões de Portugueses – mais literacia, mais prevenção, mais participação”, reorganizar os serviços hospitalares em unidades de cuidados integrados e centros de responsabilidade integrados e um aumento do financiamento do SNS na ordem dos 7,5% ao ano, nos próximos cinco anos.

Ana Paula Martins frisou que são apenas 10 medidas, mas que são “necessárias para que o Serviço Nacional de Saúde e o sistema nacional de saúde responda aos portugueses”.

“Todos sabemos – estamos preocupados – que um impacto como tivemos agora pela pandemia na saúde tem muitas muitos efeitos na economia, tem muitos efeitos no País, e se o país precisa de retomar na economia também precisa de retomar na saúde”, defendeu a bastonária dos farmacêuticos, sublinhando que não se pode continuar “a olhar só para a pandemia”.

“E é muito esse grito de alerta que nós hoje aqui trazemos genuinamente porque acreditamos que, se não o fizermos agora, daqui a dois ou três meses será tarde, porque efetivamente nós temos muitos desafios e temos muita gente que ficou para trás”, nomeadamente os doentes que viram as suas consultas e tratamentos parados devido à pandemia.

A necessidade destas medidas também foi reforçada pelo bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, afirmando que “neste momento” são urgentes e que serão apresentadas “dentro de pouco tempo” ao Ministério da Saúde e aos deputados.

As propostas vão ser debatidas também com várias instituições da sociedade civil, com os cidadãos e com as associações de doentes porque “o objetivo no fundo é dar um contributo positivo para reforçar a capacidade do Serviço Nacional de Saúde”.

“Esta é a altura apropriada para o fazer, contrariamente àquilo que se possa pensar”, vincou Miguel Guimarães.

Para o bastonário, a valorização dos profissionais de saúde é uma das propostas fundamentais: “Só conseguimos ter o capital humano necessário no SNS se tivermos de facto uma política de contratação pública diferente daquela que tem sido utilizada nos últimos anos”.

Caso contrário, sustentou, “vamos continuar a ter milhares e milhares de médicos, enfermeiros e outros profissionais a optarem por trabalhar no setor privado ou irem para o estrangeiro e nós neste momento precisamos das pessoas no SNS”.

“Este é o momento em que nós temos que dizer sim ao Serviço Nacional de Saúde”, porque “queremos um SNS dez milhões de portugueses”, defendeu.

(Notícia atualizada às 15:00)

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