Covid-19: Investigadores portugueses estudam relação entre metabolismo do ferro e gravidade da doença
DATA
16/06/2020 18:16:14
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS




Covid-19: Investigadores portugueses estudam relação entre metabolismo do ferro e gravidade da doença

Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) vão tentar identificar, através de amostras de sangue de doentes, marcadores relacionados com o metabolismo do ferro que possam vir a ser usados para classificar a gravidade da Covid-19.

“Quando um individuo é infetado por diferentes tipos de agentes infecciosos, sejam vírus, bactérias ou fungos, há uma alteração muito grande da distribuição do ferro no organismo”, afirmou hoje a investigadora do i3S da Universidade do Porto Maria Salomé Gomes, em declarações à Lusa.

O projeto, desenvolvido no âmbito da 2.ª edição da linha de financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) ‘RESEARCH 4 COVID-19’, vai procurar identificar marcadores que correlacionem o metabolismo do ferro com “um melhor ou pior prognóstico” da Covid-19.

“O objetivo é que estes marcadores possam de futuro ser usados para, quando o doente é admitido, já ter ideia da probabilidade que ele tem de vir a ter um desenvolvimento clínico mais grave ou não”, explicou a investigadora, adiantando que a distribuição e regulação do ferro durante uma infeção é “bastante importante”.

Para perceberem esta correlação, os seis investigadores envolvidos no projeto, intitulado “Ironing Covid-19 – Finding in the host iron status the signature to predict the severity of the disease”, vão recorrer a soro de doentes infetados do Centro Hospital Universitário de São João, no Porto.

“Estabelecemos como objetivo ter cerca de 100 amostras, 60 de indivíduos infetados e com manifestações da doença, 20 de pessoas que deram positivo, mas que nunca tiveram sintomas e 20 controlos que nunca ficaram infetados”, referiu Maria Salomé Gomes, adiantando que, além do ferro, vão também estudar outras moléculas que estão envolvidas no processo.

Se, a curto prazo, o objetivo da equipa é encontrar marcadores que possam ser usados como preditores da gravidade da doença, a médio e longo prazo o propósito é perceber os “mecanismos de causa e efeito”.

“Gostaríamos de perceber porque é que uma alteração em determinado parâmetro resulta num prognóstico pior e, a partir do momento em que percebermos os mecanismos, podemos pensar em intervenções terapêuticas”, concluiu.

Com um financiamento de 30 mil euros, este é um dos 55 projetos apoiado pela 2.ª edição da linha ‘RESEARCH 4 COVID-19’, que visa responder às necessidades do Serviço Nacional de Saúde e que na sua 1.ª edição apoiou 66 projetos.  

Além do i3S, o projeto envolve também o Centro Hospitalar Universitário de São João, o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) e a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro
Editorial | Conceição Outeirinho
Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro

O início da segunda década deste século, foram anos de testagem. Prova intensa, e avassaladora aos serviços de saúde e aos seus profissionais, determinada pelo contexto pandémico. As fragilidades do sistema de saúde revelaram-se de modo mais acentuado, mas por outro lado, deu a conhecer o nível de capacidade de resposta, nomeadamente dos seus profissionais.