Covid-19: Portugal está a articular-se para evitar perdas de tempo quando houver vacina
DATA
17/06/2020 18:36:56
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Jornal Médico
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Covid-19: Portugal está a articular-se para evitar perdas de tempo quando houver vacina

Portugal acompanha a estratégia da Comissão Europeia relativamente à negociação de uma vacina Covid-19 para os 27 Estados-membros, mas tem-se articulado ao nível da avaliação e da compra para evitar perder “tempos desnecessários” no futuro, foi hoje divulgado.

Na conferência de imprensa da Direção-Geral da Saúde sobre a pandemia, o presidente do Infarmed, Rui Santos Ivo, explicou que o país está a fazer uma avaliação gradual dos dados, “à medida que vão sendo disponibilizados”, nomeadamente quanto às “cerca de 10 vacinas” em fases de desenvolvimento mais avançadas, para “poder tomar a decisão” quando for o momento.

“Toda esta articulação, quer ao nível das autoridades que vão avaliar, quer todo o processo aquisitivo, vai ser essencial para que possa ser o mais sinérgica possível e evitar gastar tempos desnecessários”, explicou o responsável da Autoridade Nacional do Medicamento.

De acordo com o Rui Ivo, Portugal está a tentar “perceber as vacinas que poderão chegar mais cedo, para poderem ser essas as que venham a ser disponibilizadas à União Europeia”.

“O processo de avaliação está ligado à aquisição da vacina. Para que o processo possa ser ágil, a avaliação deve ser o mais coordenada possível”, observou.

Sem querer entrar em detalhes, por não poder “prever os resultados dos ensaios clínicos”, Rui Santos Ivo observou que as “mais avançadas estão identificadas e são cerca de uma dezena de vacinas”.

“Temos feito um acompanhamento próximo com empresas farmacêuticas que estão a desenvolver vacinas. Para perceber, por um lado, os resultados dos ensaios clínicos e, por outro, para identificar a perspetiva da disponibilização da vacina no prazo que for identificado para dar a disponibilidade da vacina no nosso país”, descreveu.

O secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, referiu estar em causa um “processo complexo, onde o que é pretendido pela Comissão Europeia [CE] é ter o mandato dos 27 para negociar com indústria em nome dos Estados-membros”.

“Portugal acompanha esta posição da CE”, afirmou o governante.

Lacerda Sales disse que “esta decisão terá sempre de ser cooperante e coletiva por parte dos Estados-membros”.

“Estamos também em conversações com diversas empresas. Não estamos apenas dependentes da posição a que me referi”, acrescentou.

A Comissão Europeia apresentou na terça-feira uma estratégia para acelerar o desenvolvimento, fabrico e comercialização de vacinas contra a Covid-19 na União Europeia (UE), visando conseguir tratamentos “seguros e eficazes” dentro de um ano, “se não antes”.

“O desenvolvimento da vacina é um processo complexo e demorado, [mas] com a estratégia hoje adotada, a Comissão apoiará os esforços para acelerar o desenvolvimento e a disponibilidade de vacinas seguras e eficazes num prazo de entre 12 e 18 meses, se não antes”, indica o executivo comunitário numa informação hoje divulgada.

Observando que “a concretização deste complexo processo exige a realização de ensaios clínicos em paralelo com investimento na capacidade de produção para poder produzir milhões, ou mesmo milhares de milhões, de doses de uma vacina bem-sucedida”, a instituição garante estar “plenamente disponível para apoiar os esforços dos criadores de vacinas nos seus esforços”.

Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.