Covid-19: Novos surtos exigem “melhor caracterização” dos indicadores epidemiológicos, defende a Ordem dos Médicos
DATA
23/06/2020 09:59:24
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Jornal Médico
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Covid-19: Novos surtos exigem “melhor caracterização” dos indicadores epidemiológicos, defende a Ordem dos Médicos

A Ordem dos Médicos salienta hoje que a pandemia SARS-CoV-2 não terminou e que o combate aos novos surtos deve exigir uma “melhor caracterização” dos indicadores epidemiológicos locais e nacionais.

Em comunicado e face da situação epidemiológica nacional e internacional, o Gabinete de Crise da Ordem dos Médicos para a Covid-19, destaca e recomenda várias situações associadas à pandemia, entre as quais o facto de a letalidade global ser de 5,2%.

Especificamente sobre Portugal o comunicado destaca que se encontra ainda, no estado de calamidade e no decurso da primeira onda pandémica: "A maioria da população permanece suscetível e todos estão em risco de contrair formas graves de doença e eventuais sequelas, cuja evolução da doença ainda não permite clarificar”.

Tal como avançado pela agência Lusa, a Ordem vem sublinhar que os números de casos de Covid-19 registados na última semana colocam Portugal com o segundo pior rácio de novas infeções por cada 100 mil habitantes entre os 10 países europeus com mais contágios, apenas atrás da Suécia.

Neste sentido, reforça que o desconfinamento em curso, deve “exigir a todos, inclusive à população supostamente de menor risco, a máxima responsabilidade e a estrita adesão às medidas de saúde pública em vigor”, de forma a evitar “retrocessos com consequências muito prejudiciais”.

No que concerne ao combate a novos surtos, nomeadamente na região metropolitana de Lisboa, a Ordem dos Médicos recomenda “uma melhor caracterização dos indicadores epidemiológicos locais e nacionais”, processos mais céleres de deteção e atuação, os recursos necessários – o que implica reforço das equipas de saúde pública –, bem como medidas de apoio social e o envolvimento das estruturas comunitárias locais na sensibilização da população.

“O planeamento, a antecipação, a vigilância e a fiscalização são fatores críticos para o sucesso, e devem ser implementados a nível nacional”, refere.

O documento enviado às redações fala também do facto de Portugal ser o 7.º país na União Europeia incluindo o Reino Unido (atrás do Luxemburgo, Malta, Dinamarca, Chipre, Reino Unido e Espanha) com mais testes efetuados, defendendo que “a afirmação que há mais casos positivos no nosso país porque se testa mais, está descontextualizada e é socialmente desadequada ao promover a falsa sensação de segurança de que nos outros países há mais casos do que os reportados”.

“Esta falsa sensação de que estamos iguais, ou melhor, do que os outros países prejudica o cumprimento das medidas de contenção da doença”, lê-se no comunicado.

Considerando que as viagens aéreas foram “determinantes da disseminação global da pandemia" a Ordem diz que é necessária “melhor prova científica, e não opiniões de entidades que possam configurar conflitos de interesses, de que as regras e medidas aplicadas são eficazes e seguras”.

Indica, por isso, que a clareza e a coerência entre todas as medidas, nomeadamente, nas viagens aéreas, ajuntamentos e eventos de massas são “fundamentais” no envolvimento e cumprimento das medidas de saúde pública pela população.

A Ordem dos Médicos reforça ainda que, no momento atual, é “absolutamente essencial” manter ou implementar medidas a nível nacional que possam mitigar e eliminar a doença provocada pelo novo coronavírus.

O uso obrigatório de máscara em locais públicos, o distanciamento social de 2 metros em locais públicos, as medidas de higiene preconizadas pela Direção-Geral de Saúde, evitar reuniões e encontros com mais de 10 pessoas são algumas das medidas mencionadas.

A estas juntam-se ainda o adiamento de festas públicas, que não possam cumprir as medidas de segurança coletiva, o reforço de medidas de segurança e proteção individual e coletiva nos aviões e aeroportos “incluindo a generalização da tripla avaliação epidemiológica, e a possibilidade de testar e de quarentena em todos os casos que o justifiquem”.

Nos centros comerciais, escolas, lares e praias devem ser cumpridos de “forma escrupulosa” as medidas em curso, os estádios manter-se sem adeptos e o teletrabalho implementado sempre que possível, acrescenta a Ordem.

Dentro das medidas mencionadas no comunicado, encontram-se ainda a implementação da aplicação digital que ajude no rastreio de contactos ao nível do internamento e da saúde pública, a comunicação “clara, transparente, objetiva e centrada nas medidas preventivas” e a dinamização de uma prevenção ativa através de vigilância e fiscalização massiva do cumprimento das medidas de contenção e proteção individual e coletiva.

“Enquanto houver atividade viral na comunidade, o combate e a responsabilidade é de todos nós”, conclui a Ordem dos Médicos.

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