Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares cria projeto para capacitação em telessaúde

Programa de Aceleração Tecnológica na Saúde. Assim se chama o projeto lançado pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), em parceria com os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), que aposta na partilha de conhecimento e boas práticas, como forma de capacitar os intervenientes na área da saúde para a utilização das ferramentas digitais.

A iniciativa arranca no dia 25 de junho e é composta por duas mesas redondas digitais e uma academia formada por cursos de e-learning dirigidos a profissionais de saúde.

Uma das mesas redondas digitais tem o objetivo de potenciar a colaboração em rede e a outra visa aumentar a proximidade através da telessaúde, contando ambas com a participação do presidente da SPMS, Luís Goes Pinheiro, do bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, e da delegada de saúde regional do Norte, Maria Neto.

A segunda vertente da iniciativa envolve a disponibilização, em acesso universal, na Academia Digital APAH de Programas de formação e-learning para dotar os profissionais das ferramentas necessárias para potenciar o trabalho colaborativo e otimizar a proximidade com o cidadão através da telessaúde.

De acordo com a APAH, o contexto da Covid-19 trouxe uma “oportunidade única” de acelerar a utilização da telemedicina como forma de combater, “não só as consultas perdidas, mas também de cumprir as listas de espera e os tempos de resposta para consultas”.

Baseando-se no portal da transparência do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a associação refere que as consultas de telemedicina aumentaram cerca de 35% entre janeiro e abril deste ano, face ao período homólogo de 2019, e só no mês de abril de 2020 aumentaram cerca de 50%, quando comparado com o mesmo período do ano passado. 

“Foi a pensar na aceleração desta aposta que a APAH lançou este Programa de Aceleração Tecnológica na Saúde, dirigido a todos os hospitais e Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) do SNS e a todos os seus profissionais de saúde e de gestão e que contempla uma componente formativa com módulos segmentados e dirigidos a cada público-alvo”, destaca, em comunicado.

Neste sentido, consolida que o projeto pretende partilhar as boas práticas já instituídas e motivar os profissionais de saúde a tirarem o “máximo partido” das ferramentas digitais que lhes permitam melhorar a articulação entre as estruturas de saúde, potenciando o trabalho colaborativo e melhorando a comunicação, “o que se traduz em ganhos ao nível da otimização de recursos, com uma resposta mais célere e benéfica para o doente, tornando a saúde mais próxima e inclusiva”.

Para o presidente da APAH, Alexandre Lourenço, “este é o momento certo para reforçar aposta na telessaúde. A pandemia impôs a utilização imediata destes recursos e, por isso, é urgente dotar todos os intervenientes das ferramentas necessárias para que possam ser utilizadas de uma forma eficaz e efetiva. As boas práticas têm que ser partilhadas, de modo a que as mais-valias sejam claras para todos”.

Na visão do presidente do SPMS, Luís Goes Pinheiro, “o contexto atual impõe a criação de sinergias efetivas entre os atores da saúde, que permitam tirar proveito da capacidade instalada e potenciar a partilha de informação e conhecimento entre os diferentes profissionais”.

“Neste âmbito, a tecnologia atuará como um dinamizador do encontro entre os profissionais de saúde e os cidadãos, contribuindo para a prestação de cuidados de qualidade e para a essencial equidade no acesso aos mesmos”, defende.

O projeto conta ainda com o apoio da Novartis e da Microsoft, como parceiro técnico.

As certezas enganadoras sobre os Outros
Editorial | Mário Santos, membro da Direção Nacional da APMGF
As certezas enganadoras sobre os Outros

No processo de reflexão da minha prática clínica, levo em conta para além do meu índice de desempenho geral (IDG) e da satisfação dos meus pacientes, a opinião dos Outros. Não deixo, por isso, de ler as entrevistas cujos destaques despertam em mim o interesse sobre o que pensam e o que esperam das minhas funções, como médico de família. Selecionei alguns títulos divulgados pelo Jornal Médico, que mereceram a minha atenção no último ano: