Sociedade Portuguesa de Cardiologia prepara estudo sobre insuficiência cardíaca
DATA
02/07/2020 13:00:37
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Jornal Médico
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Sociedade Portuguesa de Cardiologia prepara estudo sobre insuficiência cardíaca

A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) está a preparar um estudo para conhecer a real prevalência da insuficiência cardíaca em Portugal, que se estima atingir 400.000 pessoas e cujos dados mais atuais têm mais de 20 anos.

A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) está a preparar um estudo para conhecer a real prevalência da insuficiência cardíaca em Portugal, que se estima atingir 400.000 pessoas e cujos dados mais atuais têm mais de 20 anos.

Nesse sentido, assinou, em conjunto com a AstraZeneca, um memorando de entendimento que estabelece as linhas de colaboração para a implementação do estudo PORTHOS – PORTuguese Heart failure Observational Study, que visa conhecer a prevalência atual da insuficiência cardíaca no nosso país.

O início do estudo está previsto para outubro, através de uma carrinha que irá percorrer o país, realizando o levantamento de dados através de um conjunto de rastreios a mais de seis mil pessoas.

Os últimos dados sobre esta matéria foram recolhidos em 1998 e publicados em 2002, no estudo EPICA, segundo o qual se estima que existir 400.000 adultos com insuficiência cardíaca, em Portugal, e que possa vir a ocorrer um aumento de 30% no número de doentes até 2034.

O presidente da SPC, Victor Gil considera que “mais de vinte anos depois, com diferente enquadramento demográfico, com alterações profundas no tecido social e económico e até diferentes definições da insuficiência cardíaca, torna-se imperativo efetuar um novo estudo, de forma a melhor compreender a epidemiologia e com isto projetar melhores decisões clínicas, de organização de cuidados e políticas de saúde”.

Do lado da AstraZeneca Portugal, o Country President, Carlos Sánchez-Luiz, lembra que “nas últimas décadas a AstraZeneca e a Sociedade Portuguesa de Cardiologia têm sido parceiras em muitas iniciativas e projetos de investigação, educação e formação pós-graduada na Medicina Cardiovascular, pelo que este estudo constitui um exemplo da excelência do que melhor pode ser a colaboração entre a indústria farmacêutica de investigação e a comunidade médica e científica.

“O estudo PORTHOS permitirá conhecer melhor a realidade da insuficiência cardíaca e por esta via adotar estratégias de gestão em saúde, seguimento e tratamento de doentes mais efetivas”, sublinha.

A coordenação operacional será assegurada por uma Comissão Executiva, presidida pela vice-presidente da SPC, Cristina Gavina, e a coordenação científica do estudo estará a cargo do coordenador do Grupo de Estudos de Insuficiência Cardíaca da SPC, Silva Cardoso.

Já no enquadramento estratégico, no apoio científico, e na execução do estudo estarão envolvidos dezenas de académicos e clínicos.

Cristina Gavina considerou, em declarações à agência Lusa que a insuficiência cardíaca é um problema de saúde pública e diz que está vai ser "a pandemia do século XXI": “À medida que vamos tratando muitas das doenças vasculares, nomeadamente o enfarte agudo do miocárdio, muitos doentes sobrevivem, mas ficam com sequelas, com cicatrizes que levam depois à insuficiência cardíaca. As nossas enfermarias estão cheias de doentes com insuficiência cardíaca”.

“Temos uma população cada vez mais envelhecida, a acumular doenças, que vive mais tempo, mas com mais doenças e muitas destas vão conduzir a um estado de insuficiência cardíaca”, explicou a especialista, lembrando que esta “tem um impacto brutal na vida das pessoas”, não só na qualidade de vida, mas na quantidade de anos vividos.

“Estamos a falar de reduções, comparativamente com populações da mesma idade, que podem ir de 15 anos [a menos de vida] em pessoas na faixa dos 60 anos a cinco anos na faixa dos 80”, afirmou.

A vice-presidente da SPC reconhece que, com a pandemia de Covid-19, as pessoas, por receio, podem não aderir tanto, daí que o estudo tenha feito um compasso de espera antes do arranque, para que seja avaliada a evolução da pandemia.

“Temos planos de contingência pensados para a possibilidade de não ter a pandemia controlada, com separação de circuitos e proteção de doentes e profissionais de saúde para poder fazer o rastreio, mas como o medo pode afastar parte do público, poderemos ter de arrancar para o ano”, afirmou.

[Notícia atualizada no dia 3 de julho, às 11:20]

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