Médicos e Farmacêuticos indignados com exclusão das Ordens da discussão sobre dispensa de medicamentos hospitalares
DATA
09/07/2020 09:54:32
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS




Médicos e Farmacêuticos indignados com exclusão das Ordens da discussão sobre dispensa de medicamentos hospitalares

As Ordens dos Médicos e dos Farmacêuticos mostram indignação e incompreensão perante a decisão do Ministério da Saúde de excluí-las da discussão sobre a dispensa de medicamentos hospitalares em proximidade.

Referindo-se ao despacho n.º 6971/2020, que cria um Grupo de Trabalho para estudar a implementação de modelos de proximidade na dispensa de medicamentos hospitalares, as duas entidades destacam que este “exclui de forma absurda não só as Ordens, mas os representantes dos doentes, as mais importantes unidades hospitalares, os parceiros do sector farmacêutico e da distribuição”.

“Os reais beneficiários desta medida, os doentes, ficam na mera posição de poderem vir a ser ouvidos, caso o grupo de trabalho assim o entenda”, sublinham, num comunicado conjunto.

Médicos e farmacêuticos frisam que houve “falta de empatia e de diálogo” ao longo do processo, o que contrasta com a “total disponibilidade e a colaboração” dos profissionais, para que “nada faltasse” às unidades de saúde em tempos de pandemia.

As Ordens afirmam que, apesar das explicações entretanto divulgadas, continuam a desconhecer os critérios adotados pelo Ministério da Saúde para a constituição do grupo de trabalho, incluindo “a escolha de representantes de alguns hospitais em detrimento de outros”.

“Também o prazo de 60 dias, que corresponde aos meses de agosto e setembro, para apresentação pelo referido grupo de trabalho de uma proposta integrada, antecipa um processo ineficiente, que nada acrescenta às experiências que estão no terreno há mais de dois anos e que, mais importante ainda, ficará longe de assegurar as condições para que o país possa enfrentar novas vagas da pandemia de covid-19 e o próximo inverno”, defendem.

Para as duas entidades, a exclusão de profissionais e doentes, considerados protagonistas e destinatários das políticas de saúde, revela uma “uma faceta de prepotência e pouco democrática” do Ministério da Saúde.

As Ordens sublinham também que a temática em causa exige decisões firmes e sustentadas no “único propósito de garantir o acesso, a segurança e a qualidade dos medicamentos que são tradicionalmente dispensados em meio hospitalar”.

Recordam, num comunicado assinado por Ana Paula Martins e Miguel Guimarães, bastonários das Ordens dos Farmacêuticos e dos Médicos, respetivamente, que a dispensa de medicamentos hospitalares num regime de maior proximidade está a ser estudada há mais de 20 anos pelo Infarmed, com experiências-piloto no terreno desde 2015.

“Durante a pandemia de Covid-19, as duas Ordens impulsionaram o alargamento de um serviço de entrega dos medicamentos habitualmente dispensados nas farmácias hospitalares ao domicílio dos utentes, ou através das farmácias comunitárias por eles escolhidas”, apontam.

O projeto contou com a colaboração de 20 associações de doentes, envolveu mais 30 hospitais e mais de 2.000 farmácias comunitárias, de forma a responder a mais de 13.000 utentes.

Numa última nota, as entidades reforçam: “Nos moldes em que foi constituído, este grupo de trabalho revela-se inútil, simples consumidor de tempo e recursos, pois o que é mesmo necessário, sem mais demoras, é passar da experiência para a eficiência”.

O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

Mais lidas