Diabéticos com recomendação para vacinação contra a Pneumonia

A Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo (SPEDM) recomentou oficialmente a vacinação antipneumocócica a todos os adultos com Diabetes. O Movimento Doentes Pela Vacinação (MOVA) congratula a decisão.

“Em concordância com a Direção-geral da Saúde (DGS), a SPEDM considera que este grupo corre risco acrescido de contrair infeções graves e potencialmente fatais como a Sepsis, a Meningite ou a Pneumonia, e que por isso deve ser vacinado”, sublinha o MOVA.

A determinação baseou-se no risco acrescido que pessoas com Diabetes apresentavam em contrair Pneumonia e outras formas graves de Doença Invasiva Pneumocócica, no elevado risco de mortalidade, nas potenciais sequelas e nos próprios custos dos tratamentos.

“Existe uma norma da Direção-geral da Saúde que recomenda a vacinação antipneumocócica a todos os adultos – idades superiores a 18 anos – pertencentes aos grupos de risco”, relembrou a presidente da Federação Portuguesa das Associações de Pessoas com Diabetes FPAD, uma das 15 associações que integram o MOVA, Emiliana Querido, assumindo satisfação pelo reforço da recomendação pela SPEDM.

“É a prova de que vale a pena apostar na sensibilização e na divulgação de informação junto da comunidade, seja através da FPAD, ou do MOVA”, concluiu.

Em comunicado, o MOVA destaca que a Diabetes diminui as defesas do hospedeiro e que cria condições para a infeção por bactérias como o pneumococo e recorre a um estudo a 4 anos (2009 a 2012), que revelou que a prevalência da Diabetes nos doentes internados com Pneumonia era, no mínimo, o dobro a duas vezes e meia, quando comparada com a população que não sofria da doença.

O mesmo estudo revelou que “pequenos aumentos da incidência de Diabetes” estavam associados a um “aumento mais significativo da prevalência da Pneumonia na população internada”, e que um doente com Pneumonia que também sofresse de Diabetes ficava, em média, mais um dia internado do que um indivíduo sem a doença.

“Também a mortalidade se revelou superior nestes casos. De 13,5% registada nas pessoas sem Diabetes, passava para 15,2% nas que tinham ambas as morbilidades”, recorda o MOVA.

Garante, neste sentido, que a vacinação é “a forma mais eficaz” de se prevenirem esta e outras doenças graves.

“É fundamental sensibilizar as pessoas. Dotá-las de conhecimento. Sabemos que nove em cada 10 adultos com mais de 50 anos não estão vacinados contra a Pneumonia, e que a maioria não o faz por falta de aconselhamento médico”, ressalvou a presidente da Respira e fundadora do MOVA, Isabel Saraiva.

Frisou ainda o trabalho realizado pelo movimento para “inverter esta tendência e contribuir para a melhoria da esperança e da qualidade de vida da população” e considerou que tomadas de posição como a da SPEDM são “excelentes notícias, fundamentais para a redução da mortalidade por doenças preveníveis por vacinação”.

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Editorial | Jornal Médico
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