Covid-19: Governo mantém situação de calamidade para 19 freguesias por mais duas semanas
DATA
14/07/2020 11:26:12
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Jornal Médico
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Covid-19: Governo mantém situação de calamidade para 19 freguesias por mais duas semanas

O Governo vai manter por mais 15 dias as situações de alerta para a generalidade do continente, de contingência para a Área Metropolitana de Lisboa e de calamidade para 19 freguesias, anunciou esta segunda-feira a ministra da Presidência.

Segundo Mariana Vieira da Silva, que falava em conferência de imprensa em Lisboa, a medida foi tomada depois de serem ouvidos os presidentes dos municípios de Lisboa, Sintra, Loures, Amadora e Odivelas (todos no distrito de Lisboa), nos quais se localizam as 19 freguesias mais afetadas.

“Em todos estes cinco concelhos, nos últimos sete dias, pode-se verificar uma tendência decrescente dos novos casos. Esta é uma tendência que importa consolidar e não estamos em condições de ficar descansados, ela carece de um forte acompanhamento”, afirmou.

A esse propósito, a governante referiu que a incidência de novos casos por cada 100 mil habitantes nesses concelhos desceu dos 154 para os 121.

Com a manutenção destas situações, em vigor desde 1 de julho, permanecem em vigor as restrições associadas, como a obrigação de encerramento da generalidade dos estabelecimentos comerciais às 20:00, a proibição de venda de álcool nas estações de serviços e a limitação de ajuntamentos até 10 pessoas na Área Metropolitana de Lisboa e de cinco pessoas naquelas 19 freguesias.

Relativamente ao trabalho das 18 equipas multidisciplinares no terreno, Mariana Vieira da Silva adiantou que ao longo destes 15 dias foram contactadas 3.100 pessoas.

“Isso permitiu garantir que fazemos hoje todos os inquéritos nas primeiras 24 horas, que há inquéritos epidemiológicos no fim de semana e que tivemos uma forte redução dos casos incontactáveis”, sublinhou.

A ministra da Presidência disse ainda que, “em geral”, se verifica um cumprimento das regras, recusando a necessidade de serem criadas medidas adicionais no âmbito da fiscalização.

“Em geral, há um cumprimento das orientações e, sempre que não existe, as forças de segurança têm de estar regularmente a garantir que as regras sejam cumpridas”, observou.

Na sua intervenção, Mariana Vieira da Silva referiu-se ainda ao nível de ocupação das unidades de cuidados intensivos e das camas de internamento nos hospitais da Área Metropolitana de Lisboa, ressalvando que “a situação está muito controlada”.

“Estamos na ordem da metade das camas previstas para a doença da Covid-19. Do ponto de vista da capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde, a situação está controlada”, vincou.

A generalidade de Portugal Continental entrou no dia 1 de julho em situação de alerta devido à pandemia de Covid-19, com exceção da AML, que passou para o estado de contingência.

Dentro da AML, que é constituída por 18 municípios, 19 freguesias de cinco concelhos permaneceram em estado de calamidade, já que, segundo disse na altura o primeiro-ministro, é onde se concentra “o foco de maior preocupação de novos casos [de infeção] registados”.

As 19 freguesias que vão permanecer em estado de calamidade são: Santa Clara (Lisboa), as quatro freguesias do município de Odivelas (Odivelas e as uniões de freguesias de Pontinha e Famões, Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto, e Ramada e Caneças), as seis freguesias do concelho da Amadora (Alfragide, Águas Livres, Encosta do Sol, Mina de Água, Venteira e União de Freguesias de Falagueira e Venda Nova), seis freguesias de Sintra (uniões de freguesias de Queluz e Belas, Massamá e Monte Abraão, Cacém e São Marcos, Agualva e Mira Sintra, Algueirão-Mem Martins e a freguesia de Rio de Mouro) e duas freguesias de Loures (uniões de freguesias de Sacavém e Prior Velho, e de Camarate, Unhos e Apelação).

Nestas freguesias foram impostas medidas especiais de confinamento, como o “dever cívico de recolhimento domiciliário”, ou seja, as pessoas só devem sair de casa para ir trabalhar, ir às compras, praticar desporto ou prestar auxílio a familiares.

Os ajuntamentos ficam limitados a cinco pessoas e estão proibidas as feiras e mercados de levante.

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