APAH e SPMS querem Serviço Nacional de Saúde mais digital

A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) acaba de lançar – em parceria com os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) – um projeto que aposta na partilha de conhecimento e boas práticas, como forma de capacitar todos os intervenientes na área da saúde para a utilização das ferramentas digitais. Em declarações ao Jornal Médico, o presidente da APAH, Alexandre Lourenço, refere que “o contexto da Covid-19 trouxe uma oportunidade única para acelerar a utilização e adoção da telessaúde/telemedicina, como forma de combater, não só as consultas perdidas, mas também de cumprir as listas de espera e os tempos de resposta para consultas”.

“Partilhar as boas práticas e motivar os profissionais de saúde a tirarem o máximo partido das ferramentas digitais que lhes permitam melhorar a articulação entre as estruturas de saúde, potenciando o trabalho colaborativo e melhorando a comunicação, o que se traduz em ganhos ao nível da otimização de recursos, com uma resposta mais célere e benéfica para o doente, tornando a saúde mais próxima e inclusiva”.

Este é, de acordo com o presidente da APAH, Alexandre Lourenço, o grande objetivo do Programa de Aceleração Tecnológica na Saúde, uma iniciativa promovida por esta associação em parceria com os SPMS, dirigida a todos os hospitais e Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a todos os seus profissionais de saúde e de gestão e que contempla uma componente formativa com módulos segmentados e dirigidos a cada público-alvo.

O contexto da Covid-19 trouxe uma oportunidade única de acelerar a utilização da telemedicina, como forma de combater, não só as consultas perdidas, mas também de cumprir as listas de espera e os tempos de resposta para consultas. De acordo com o portal da transparência do Serviço Nacional de Saúde (SNS), as consultas de telemedicina aumentaram cerca de 35% entre janeiro e abril deste ano face ao período homólogo de 2019, e só no mês de abril de 2020 aumentaram cerca de 50% face ao mesmo período do ano passado.

Em declarações ao Jornal Médico, Alexandre Lourenço, admite que “o SNS demostrou uma enorme capacidade de reajustamento face à necessidade de responder aos desafios colocados pela pandemia tendo a esse nível a incorporação de tecnologias de comunicação com os utentes sido um veículo privilegiado para a proximidade com o cidadão”. Porém, frisa, “existe uma necessidade premente de regulamentar e estabelecer os normativos para estes serviços, mas também de assegurar o investimento financeiro adequado para que a transição digital na saúde seja uma realidade efetiva em todo o país e isso pressupõe a garantia das adequadas infraestruturas tecnológicas e de equipamentos”.

No entender do administrador hospitalar, “este é o momento certo para reforçar aposta na telessaúde. A pandemia impôs a utilização imediata destes recursos e, por isso, é urgente dotar todos os intervenientes das ferramentas necessárias para que possam ser utilizadas de uma forma eficaz e efetiva. As boas práticas têm que ser partilhadas, de modo a que as mais-valias sejam claras para todos”.

Por sua vez, o presidente do conselho de administração dos SPMS, Luís Goes Pinheiro, salienta que “o contexto atual impõe a criação de sinergias efetivas entre os atores da saúde, que permitam tirar proveito da capacidade instalada e potenciar a partilha de informação e conhecimento entre os diferentes profissionais. Neste âmbito, a tecnologia atuará como um dinamizador do encontro entre os profissionais de saúde e os cidadãos, contribuindo para a prestação de cuidados de qualidade e para a essencial equidade no acesso aos mesmos”.

Assim, o Programa de Aceleração Tecnológica na Saúde – iniciativa que conta com o apoio da Novartis e da Microsoft, como parceiro técnico – pretende partilhar as boas práticas já instituídas e motivar os profissionais de saúde a tirarem o máximo partido das ferramentas digitais que lhes permitam melhorar a articulação entre as estruturas de saúde, potenciando o trabalho colaborativo e melhorando a comunicação, o que se traduz em ganhos ao nível da otimização de recursos, com uma resposta mais célere e benéfica para o doente, tornando a saúde mais próxima e inclusiva.

Para tal, o projeto contempla a realização de duas mesas redondas digitais, uma delas com o objetivo de potenciar a colaboração em rede e a outra para aumentar a proximidade com o cidadão através da telessaúde. Estes dois seminários contam, entre outros, com a participação de Luís Goes Pinheiro, do bastonário da Ordem dos Médicos Miguel Guimarães e da delegada de saúde regional do Norte Maria Neto. A segunda vertente do projeto envolve a disponibilização, em acesso universal, na Academia Digital APAH de programas de formação e-learning para dotar os profissionais das ferramentas necessárias para potenciar o trabalho colaborativo e otimizar a proximidade com o cidadão através da telessaúde.

Ao nosso jornal, Alexandre Lourenço avançou alguns dos exemplos de boas práticas nacionais – ao nível da incorporação de tecnologia digital na telessaúde e no desenvolvimento de modelos de trabalho colaborativo – que serão disponibilizados e partilhados, já a partir de julho, no âmbito do Programa de Aceleração Tecnológica na Saúde. Entre muitos outros, destaque para a telemonitorização de doentes com DPOC (ULSAM), a telemonitorização de doentes com ICC (CHUC), a teleconsulta no CHPVVC, a telerreabilitação no CH Leiria, a integração de cuidados em telessaúde” (ULSBA) e a toma assistida de doentes com tuberculose (CHVNG).

Questionado sobre que impacto se espera que esta Academia Digital venha a ter a médio/longo prazo no SNS, o presidente da APAH destaca que o objetivo da mesma é “contribuir para a formação e atualização permanente dos administradores hospitalares e serviços de saúde, a par com todos os restantes profissionais de saúde para o ganho de conhecimento e competências sobre matérias de importância estratégica para o desenvolvimento e melhoria da eficiência do SNS”. Desta forma, acrescenta, “pretendemos democratizar também o acesso a conteúdos formativos que aportem valor para o sistema através da nova plataforma de e-learning que adquirimos e que vai estar acessível a todos os profissionais de saúde que desejem subscrevê-la (gratuitamente)”.

Para Alexandre Lourenço, “as maiores vantagens da formação e-learning/digital são, por um lado, a flexibilidade de concretização dos programas formativos de acordo com as disponibilidades dos formandos e sem limitação de número de utilizadores e, por outro, a possibilidade de monitorização da taxa de concretização dos programas formativos pelas instituições e profissionais de saúde permitindo eventualmente um ‘modelo de contratualização’ no futuro”.

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