Covid-19: Bastonário da Ordem dos Médicos quer programa excecional para recuperar atrasos
DATA
20/07/2020 09:51:21
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Jornal Médico
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Covid-19: Bastonário da Ordem dos Médicos quer programa excecional para recuperar atrasos

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, defendeu a criação de um programa excecional para recuperar atrasos nas consultas, cirurgias e meios de diagnóstico devido à Covid-19.

“Se não tivermos um programa excecional nunca vamos recuperar aquilo que perdemos”, disse, no sábado à noite, em entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, defendendo que esse programa deve durar alguns meses, porque caso contrário muitos doentes vão “perder a oportunidade de tratamento”.

Miguel Guimarães insistiu que o Ministério da Saúde não está a fazer o suficiente nesta matéria e que as pessoas precisam de uma resposta “agora”.

Nas contas do bastonário, comparando março, abril e maio de 2020 com os mesmos meses do ano passado, este ano, por causa da pandemia do novo coronavírus, fizeram-se menos três milhões de consultas nos cuidados primários (menos 57%), menos 900 mil consultas nos hospitais (redução de 38%), e menos 93 mil cirurgias. Nos mesmos meses deste ano foram às urgências menos de metade (44%) das pessoas e ficaram por fazer “milhões” de exames complementares de diagnóstico.

Na mesma entrevista, o responsável afirmou-se também preocupado com a “exaustão” dos profissionais de saúde, que no primeiro semestre do ano já fizeram mais 17% de horas extraordinárias, e disse que “os médicos precisam de parar um bocado” porque “não parar pode ter consequências desastrosas” para os profissionais.

Quanto ao número de médicos infetados com Covid-19, o bastonário disse que, num inquérito feito pela Ordem, dos 2.600 questionários respondidos 49 disseram que estavam ou tinham estado infetados, pelo que transpondo para o universo total de médicos indica que 1.017 estão ou já estiveram infetados, o que corresponde a 2% da classe.

Relativamente ao prémio aos profissionais de saúde envolvidos no combate à pandemia, aprovado pela Assembleia da República no início do mês, Miguel Guimarães afirmou que os profissionais não precisam de um prémio, mas sim da revisão da carreira, porque “têm das carreiras mais desvalorizadas da Europa”. A ministra da Saúde, disse, não tem valorizado o trabalho dos médicos.

O bastonário voltou a alertar para a possibilidade de uma segunda vaga da epidemia no inverno e considerou fundamental reforçar a vacina para a gripe, reforçar já a capacidade de internamento e pensar em dois hospitais de retaguarda, um para Lisboa e outro para o Porto.

As certezas enganadoras sobre os Outros
Editorial | Mário Santos
As certezas enganadoras sobre os Outros

No processo de reflexão da minha prática clínica, levo em conta para além do meu índice de desempenho geral (IDG) e da satisfação dos meus pacientes, a opinião dos Outros. Não deixo, por isso, de ler as entrevistas cujos destaques despertam em mim o interesse sobre o que pensam e o que esperam das minhas funções, como médico de família. Selecionei alguns títulos divulgados pelo Jornal Médico, que mereceram a minha atenção no último ano: