Convenção Nacional Saúde pede programa excecional para recuperar listas espera
DATA
20/07/2020 15:40:00
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Jornal Médico
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Convenção Nacional Saúde pede programa excecional para recuperar listas espera

A Convenção Nacional de Saúde (CNS) pediu hoje um programa excecional para recuperar as listas de espera de consultas, exames e cirurgias, frisando a urgência de retomar a prestação de cuidados de saúde a todos os doentes não Covid-19.

Em comunicado, a CNS, uma plataforma de diálogo entre os parceiros da Saúde e os cidadãos que junta entidades do setor público, privado e social, faz um apelo urgente ao Ministério da Saúde para lançar de imediato um programa de recuperação da atividade suspensa com a pandemia, sublinhando as preocupações manifestadas pelas associações de doentes.

“A luta nacional contra a Covid-19 foi da maior importância para mitigar a pandemia, mas não se pode ignorar o impacto tremendo que esta situação gerou em toda a atividade assistencial”, considera a CNS.

A convenção recorda que o Ministério da Saúde já reconheceu que, até maio, os hospitais do Serviço Nacional da Saúde (SNS) “fizeram menos 85.000 cirurgias e menos 902 mil consultas, das quais 371 mil eram primeiras consultas”.

“No caso dos cuidados de saúde primários terão ficado por efetuar 3 milhões de consultas. Com a nova suspensão imposta na região de Lisboa e Vale do Tejo em junho estes números terão aumentado de forma significativa”, sublinha.

Lembra ainda que, de acordo com as normas da Direção-Geral da Saúde (DGS), muitos dos exames de diagnóstico tiveram que ser adiados”.

“As análises clínicas estiveram paradas a 80%, imagiologia a 95% e gastro e cardiologia quase a 100%. Terão ficado por realizar cerca de 20 milhões de atos”, afirma.

A CNS diz que as associações de doentes “têm vindo a manifestar a sua preocupação com as lacunas” encontradas e lembra que, nestes meses, “terão ficado por diagnosticar cerca de 20 mil casos de diabetes em Portugal”, que na área do cancro digestivo terão sido adiadas 51 mil cirurgias e canceladas 540 mil consultas, devido ao funcionamento das instituições nesta fase da pandemia.

“Segundo informações recentes, em maio o número de cirurgias caiu 42% no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, 31% no IPO do Porto e 25% no IPO de Coimbra”, acrescenta.

A Convenção recorda os alertas que têm sido lançados por médicos especialistas de diversas áreas sobre os exames e os meios de diagnóstico não efetuados, que “colocam fortemente em risco a saúde de milhares de cidadãos, nomeadamente na área oncológica”.

“Neste período terão ficado por diagnosticar e, como tal, estarão sem o devido acompanhamento mais de 15 mil tumores malignos”, insiste a CNS, sublinhando que o aumento das listas de espera, cirúrgica e de consultas (médicas, de psicologia e outras), e a não realização dos necessários exames de diagnóstico se tornaram no “problema número 1 da saúde em Portugal”.

A CNS pede “um apuramento real das necessidades e de aproveitamento dos recursos existentes, tendo como meta, recuperar atividade prejudicada pela Covid-19 e cumprir os Tempos Máximos de Resposta Garantidos (TMRG) em todas as especialidades”.

Reitera igualmente a urgência de outras decisões na atual conjuntura de dificuldade do acompanhamento dos doentes não Covid-19, como por exemplo a criação de Vias Verdes promovendo uma melhor articulação entre os cuidados de saúde primários e os cuidados hospitalares, a expansão da hospitalização domiciliária, da telemedicina e da medicina à distância na monitorização e seguimento de doentes crónicos.

A garantia de proximidade na dispensa de medicamentos é outro dos exemplos apontando pela CNS, que indica que as associação de doentes que a integram consideram ainda prioritário “a comunicação entre o doente e o profissional de saúde por canais alternativos ao presencial (e-mail ou telefone direto)”, para evitar a ida a urgências ou espaço de consulta hospitalar.

As associações de doentes apontam ainda como essencial a promoção da saúde mental “do cidadão mais vulnerável, permitindo o acesso a cuidados dedicados de profissionais de saúde especializados, promovendo a diminuição do impacto na saúde dos indivíduos com origem no isolamento forçado que vivemos nos tempos da pandemia, na crise económica e social que se avizinha, e da ansiedade gerada pela possibilidade de uma segunda vaga da pandemia”.

“Após o primeiro impacto da pandemia de Covid-19, que trouxe novos desafios aos sistemas de saúde, existe agora um sentido de urgência na retoma da prestação de cuidados de saúde, de forma a garantir o acesso de todos os doentes não Covid-19 aos melhores cuidados de saúde de forma atempada e tal requer liderança e iniciativa para a recuperação das listas de espera e da atividade assistencial da Saúde”, refere a nota.

O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
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Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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