Nova Prova Nacional de Acesso à especialidade privilegia raciocínio clínico
DATA
20/07/2020 16:22:45
AUTOR
Jornal Médico
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Nova Prova Nacional de Acesso à especialidade privilegia raciocínio clínico

A nova Prova Nacional de Acesso (PNA) que permite que os novos médicos possam ingressar numa especialidade foi considerada “bem estruturada” pela maioria dos que a realizaram, que consideraram que esta privilegia o raciocínio clínico, revelou hoje a Ordem dos Médicos.

Realizada, pela primeira vez, em 2019, “depois de muitas décadas de críticas ao famoso exame Harrison”, a prova foi alvo de um relatório, cujas conclusões, anunciadas esta segunda-feira, indicam que o novo modelo foi aprovado pela maioria dos inscritos.

“De acordo com os resultados do inquérito que fizemos após a primeira prova, os médicos consideraram que a nova PNA estava bem estruturada e privilegiava o raciocínio clínico, em detrimento da memorização, que era um dos objetivos que pretendíamos com esta mudança”, explicou o coordenador do Gabinete para a Prova Nacional de Acesso à Formação Especializada, Serafim Guimarães.

Medicina, Cirurgia, Pediatria, Ginecologia/Obstetrícia e Psiquiatria são as áreas avaliadas, na nova prova, que é composta por 150 itens e tem a duração de 240 minutos ministrada em duas partes de 120 minutos cada, com um intervalo de 75 minutos.

Segundo a Ordem, nesta primeira edição, a principal crítica está relacionada com o tempo, com muitos alunos a referirem que precisariam de mais tempo para complementar a prova.

Ainda assim, a maioria dos respondentes considera que os temas abordados respeitavam a matriz de conteúdos e que a bibliografia recomendada é adequada e de fácil acesso.

Neste âmbito, é recordado que, durante os primeiros cinco anos de mudança, o processo será acompanhado pela National Board of Medical Examiners®, para poderem ser feitos os ajustes necessários.

“Queríamos uma prova mais discriminativa, mais equitativa e mais justa, que se adaptasse à evolução da Medicina, dando maior peso ao raciocínio clínico, cada vez mais determinante numa altura em que a informação produzida pela ciência cresce a um ritmo exponencial”, destacou o bastonário da Ordem dos Médicos.

Miguel Guimarães sublinha: “Sentimos que esse resultado foi atingido em termos de conteúdo, e mesmo o facto de as notas serem mais dispersas também comprova que temos uma melhor PNA”.

Em comunicado, é avançado que dos mais de 2500 médicos que realizam a prova, 400 vêm de universidades estrangeiras.

Quanto às escolas portuguesas, a maioria é proveniente da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, seguindo-se a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, tendo a maior parte dos respondentes iniciado o seu estudo para a prova no arranque do ano letivo de 2018/2019, com uma média diária de sete a 13 horas de estudo.

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Editorial | Jornal Médico
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