Associações alertam doentes respiratórios para consequências do abandono da medicação no verão

“Neste verão não dê férias à sua medicação”. É este o mote da campanha de sensibilização lançada pela Respira – Associação Portuguesa de Pessoas com DPOC e Outras Doenças Respiratórias Crónicas, pela Associação Portuguesa de Asmáticos (APA), pela Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) e pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), que se juntaram para alertar os doentes respiratórios para as consequências do abandono da medicação durante os meses de verão.

Para a presidente da Respira, Isabel Saraiva, “é natural que por vezes surja algum cansaço por parte dos doentes no cumprimento diário de uma terapêutica e que o verão e as férias conduzam a uma atitude de maior esquecimento”.

Neste âmbito, ressalva: “Sabemos que este tipo de comportamento conduz a situações de risco e, por isso, torna-se tão urgente alertar todos os doentes respiratórios para a importância de cumprir a terapêutica 365 dias por ano”.

Já o presidente da Associação Portuguesa de Asmáticos, Mário Morais de Almeida, salienta que “estas campanhas são fundamentais para consciencializar os doentes para a importância de manter um tratamento sem interrupções” e que “as férias não devem ser um motivo para abdicar da terapêutica, pois as consequências do abandono da medicação acabam por surgir a curto prazo”, levando a que se assista a uma diminuição da qualidade de vida dos doentes, “algo que podia ser facilmente evitado com disciplina e responsabilidade”.

De acordo com o presidente da SPAIC, Manuel Branco Ferreira, esta situação é algo com que se deparam todos os anos na prática clínica.

“São muitos os casos que assistimos de doentes que apresentam um quadro clínico mais exacerbado no período pós-férias, consequência de um maior relaxamento que sabemos que acontece neste período. Tentamos sempre reforçar junto dos nossos doentes a importância da continuidade da medicação ao longo de todo o ano, para que exista um maior controlo da patologia. Este ano, em plena pandemia, é ainda mais importante reforçar esta mensagem”, sublinha.

Alinhado com estas visões, o presidente da SPP, António Morais, reforça que essa situação pode levar à “exacerbação de novas crises, que não se sentem no imediato, mas que podem ter uma relação direta com este abandono no futuro”.

Num comunicado conjunto, as associações referem a existência de estudos que revelam que 50% dos medicamentos para as doenças crónicas não são tomados como prescritos pelo profissional de saúde, variando a taxa de adesão à terapêutica entre 22% e 78%, no que refere a doentes asmáticos ou com doença pulmonar obstrutiva crónica.

“Além destes números, existe um padrão relativamente às exacerbações da asma com um pico mais acentuado no mês de setembro” apontam, acrescentando que as taxas de adesão à terapêutica são mais baixas nos meses de verão, aumentam no outono e permanecem altas durante os meses de inverno até à primavera, sendo julho o mês com menor taxa de adesão à terapêutica nos doentes asmáticos.

A campanha, que tem como parceira a Novartis, decorre até ao dia 15 de setembro, e conta com a disponibilização de um guia com dicas importantes para ajudar os doentes respiratórios a “protegerem-se durante os meses de verão”, entre outros materiais informativos para sensibilizar profissionais de saúde e doentes para esta temática.

Se os jovens Médicos de Família querem permanecer no SNS e se o SNS precisa deles, o que falta?
Editorial | António Luz Pereira
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