Covid-19: USF-AN defende revisão da Norma 004/2020 da DGS sobre a abordagem dos doentes e suspeitos de infeção
DATA
22/07/2020 16:45:25
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Jornal Médico
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Covid-19: USF-AN defende revisão da Norma 004/2020 da DGS sobre a abordagem dos doentes e suspeitos de infeção

A Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) defende a atualização da Norma n.º 004/2020 da Direção-Geral da Saúde (DGS), dedicada à Fase de Mitigação da Covid-19 – “Abordagem do Doente com Suspeita ou Infeção por SARS-CoV-2”, cuja última revisão aconteceu em abril.

“A 25 de abril, ainda com o Estado de Emergência em Portugal, embora na fase de mitigação da Covid-19, a referida Norma sofreu uma atualização, desencadeada também pela USF-AN, que, entre outros aspetos, passou a valorizar o trabalho em equipa de saúde familiar, realidade dos Cuidados de Saúde Primários (CSP), passando a considerar os médicos de família, os enfermeiros de família e os secretários clínicos para tarefas inerentes à vigilância e monitorização da população suspeita e/ou infetada com Covid-19, deixando assim de centrar esta atividade apenas nos médicos de família”, contextualiza a associação.

Apesar de considerar “positiva” esta revisão, que produziu efeitos imediatos no terreno ao potenciar o trabalho em equipa multidisciplinar, a USF-NA pretende que esta seja atualizada, justificando que “Portugal e os CSP em situação completamente diferente da vivida à data da última atualização”.

“Nesta atual fase que vivemos desta pandemia, nomeadamente da retoma progressiva da atividade presencial, questionamos, por exemplo, se serão necessárias e se justifica ADC-COMUNIDADE em todos os ACeS, sendo que atualmente em alguns até existem em número superior devido à densidade populacional ou dispersão geográfica”, aponta, em comunicado.

Neste âmbito, acrescenta: “Dado todos os recursos disponíveis, não seria mais indicado a sua existência apenas mediante a evolução epidemiológica regional e local de COVID-19, indo de encontro ao que consideramos o mais correto, pensar global e atuar local”.

A USF-AN questiona ainda se os métodos de testagem e rastreios estão adaptados à realidade de cada comunidade e se não se estão a “sobrecarregar ou desperdiçar” alguns recursos.

Ressalvando que não quer com isto “desvalorizar a situação atual do país face à Covid-19, ou uma eventual segunda vaga, ou até mesmo medidas preventivas para a mesma”, a associação destaca que o seu foco é realçar que a DGS tem o papel de, “proactivamente, atualizar e elaborar orientações claras e adequadas às necessidades e contextos vividos a cada momento, nomeadamente no plano global do próximo inverno”.

 

Ao solicitar à DGS que “tome as necessárias medidas de adaptação dos normativos às realidades do país no geral do SNS e dos CSP em particular”, a USF-AN diz acreditar que após dois meses da revisão da norma esta não deve estar “afastada” de possíveis alterações e atualizações.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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