Covid-19: Empresa portuguesa conta ter ventilador no mercado este ano
DATA
29/07/2020 11:46:46
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Jornal Médico
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Covid-19: Empresa portuguesa conta ter ventilador no mercado este ano

A empresa portuguesa Sysadvance conta ter no mercado, até ao final do ano, um ventilador específico para cuidados intensivos de saúde, que está a ser desenvolvido em parceria com a Ordem dos Médicos (OM) e em colaboração com o Centro de Cirurgia Experimental Avançada, desde março.

O ventilador SYSVent OM1 será agora alvo de certificação para adquirir a marca CE, um indicativo de conformidade obrigatória para produtos comercializados no espaço económico europeu.

A expectativa dos responsáveis é de que a certificação do SYSVent OM1 fique concluída em novembro, já incluindo a fase de auditorias e testes, e que o ventilador esteja disponível no mercado até final do ano.

De acordo com o presidente do conselho de administração da Sysadvance, José Vale Machado, a empresa terá capacidade para produzir 20 ventiladores "por dia e por turno", o que significa que, "em pico, dependendo da demanda que haja, poderão ser feitos 60 por dia".

"A primeira unidade foi feita em duas semanas, depois foram feitos aperfeiçoamentos para cumprir os requisitos da equipa da OM no que diz respeito à precisão e à fiabilidade do equipamento e hoje temos um equipamento que é mais preciso e mais fiável que o líder do mercado. Este não é um equipamento pandémico, é um equipamento para utilização massiva em cuidados intensivos", descreveu José Vale Machado.

O administrador da empresa assinou um protocolo com os responsáveis do fundo "Todos por quem cuida", que junta a OM e a Ordem dos Farmacêuticos, com o apoio da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), bem como de instituições da sociedade civil e empresas de vários setores.

O "Todos por quem cuida" vai adquirir 30 unidades do SYSVent OM1 para entregar ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas o bastonário da OM, Miguel Guimarães, frisou que a aquisição "só se concluirá depois de o ventilador garantir a marca CE".

"A Sysadvance é única empresa portuguesa que tem uma certificação que lhe permite desenvolver e produzir dispositivos médicos da classe IIB, mas nós só queremos o ventilador cá fora se ele tiver a marca CE", disse o bastonário.

Miguel Guimarães apontou como objetivo que "cada hospital que tenha cuidados intensivos tenha um ventilador destes", sendo que as 30 unidades custarão ao findo criado na fase de pandemia da covid-19 cerca de 210 mil euros, o que corresponde a cerca de 7.000 euros por cada unidade.

Sobre este preço, José Vale Machado referiu que este é "um custo significativamente inferior, menos de metade, ao do equipamento líder de mercado", mas também sublinhou o aspeto da "independência estratégica do país".

"Se há lição que a pandemia nos trouxe é que a Europa foi imprudente e não se soube preparar. Portugal ficou na mão de terceiros porque alguns países fizeram a requisição imediata de equipamentos que produzem, não permitindo a compra de outros. É importante sermos autónomos em vários setores", disse o gestor do fundo "Todos por quem cuida", Castro Alves.

O médico intensivista que liderou a equipa médica que acompanhou o desenvolvimento deste ventilador, António Carneiro, descreveu que "os ventiladores de cuidados intensivos são os mais diferenciados e exigentes" e que o que se pretendeu foi fazer um equipamento "não apenas para a pandemia".

"Os doentes Covid-19 também deixam de conseguir respirar e quando falha a ventilação, quando a pessoa deixa de conseguir respirar, precisam de ventiladores preparados para tal. Mas este é um equipamento para tudo, capaz de gerar volume, pressão, responder às ajudas do doente quando o doente precisa, variar a maneira como o ar entra e sai", afirmou António Carneiro.

Outra função destacada é a capacidade do SYSVent OM1 ser controlado remotamente, o que em ambiente pandémico ou de infetocontagiosas é considerado muito importante pela comunidade médica, uma vez que permite aos profissionais de saúde trabalhar com maior distanciamento.

A Sysadvance, que antes do ‘Brexit' recorria à SGS UK para certificar os equipamentos desenvolvidos e agora recorre à SGS Bélgica, está a preparar o dossier de pedido de certificação, um trabalho que "numa situação normal demoraria mais de um ano a levar a cabo", disse José Vale Machado.

"Estamos a mobilizar esforços grandes para ter certificado até novembro e produzi-lo até final do ano", avançou o administrador, acrescentando já ter tido contactos internacionais e manifestações de interesse do Brasil, Arábia Saudita e Peru, entre outros países.

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