Escola de Medicina da Universidade do Minho apresenta novo plano de estudos
DATA
04/08/2020 11:54:03
AUTOR
Jornal Médico
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Escola de Medicina da Universidade do Minho apresenta novo plano de estudos

A Escola de Medicina da Universidade do Minho vai ter um novo plano de estudos, designado Minho MD, que será implementado no próximo ano letivo, que se inicia em outubro e irá formar os médicos de 2030.

Descrito como “inovador”, é apresentado como o único em Portugal que permite um ano opcional aos alunos, estando alinhado com a visão de ensino da medicina de “instituições mundiais de topo”.

“A prática da medicina está a mudar rapidamente e o ensino médico tem de acompanhar essa mudança. Esta transformação curricular resulta de uma reflexão profunda realizada nos últimos três anos sobre como vão ser os médicos em 2030 e quais serão as necessidades do sistema de saúde nessa altura”, afirma o presidente da Escola de Medicina da Universidade do Minho, Nuno Sousa.

Refere ainda que a criação do plano envolveu docentes, alunos, ex-alunos, pacientes, gestores de instituições de saúde, médicos e outros profissionais de saúde, tendo como objetivo formar “médicos versáteis, multidisciplinares, dotados de elevada capacidade de raciocínio, excelentes comunicadores e com grandes capacidades humanas”.

O diretor do curso, João Araújo Cerqueira, sublinha que “o Minho MD é altamente focado no estudante e permite aos alunos explorarem e desenvolverem todos os seus interesses e potencial”.

“Os estudantes são responsáveis pela definição do seu próprio currículo, desenhando o seu percurso através de unidades opcionais (que constituem cerca de 20% do total), incluindo a possibilidade de frequentar unidades curriculares em áreas diversas, como a economia, a gestão ou a investigação biomédica, ou de participar em iniciativas de voluntariado, ou ERASMUS+”, explica.

Além da flexibilidade concebida aos alunos na definição do seu percurso, terão também um ano inteiro opcional que pode ser utilizado para construir conhecimento noutras áreas, “mesmo que não se relacionem com Medicina ou Saúde diretamente”, e ganhar novas experiências e competências.

A Universidade do Minho esclarece ainda que “os futuros médicos de Portugal, com este novo currículo, vão também antecipar o contacto com a clínica (hospitais, centros de saúde) desde a entrada no curso, já que os estágios clínicos iniciam-se no primeiro ano”.

“Em vez de memorizar doenças (sinais e sintomas, meios de diagnóstico, tratamento e gestão do doente) e depois perceber se se enquadram nos sintomas do doente, o aluno aprende a pensar a partir daquilo que as pessoas transmitem numa consulta ou urgência, por exemplo”, frisa João Araújo Cerqueira, acrescentando que isso significa que “o raciocínio parte da queixa do doente e, a partir daí, o estudante deve chegar ao diagnóstico e ao tratamento – exatamente como os doentes que procuram auxílio nas unidades de saúde”.

De acordo com o diretor do curso, esta abordagem está também “muito mais próxima” do modo como é realizado atualmente o exame de acesso às especialidades médicas.

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