Covid-19: “É preciso reforçar linhas de apoio para eventual segunda vaga", diz bastonário da OMD  
DATA
14/08/2020 09:34:18
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS




Covid-19: “É preciso reforçar linhas de apoio para eventual segunda vaga", diz bastonário da OMD  

O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), Miguel Pavão, alertou para a necessidade de um reforço das linhas de financiamento com vista à adaptação dos consultórios de Medicina Dentária de forma a estarem preparados para uma eventual segunda vaga de Covid-19.

O recém-empossado bastonário da OMD falava à agência Lusa no final de uma audiência com o Presidente da República, em que apresentou uma análise retrospetiva do impacto da pandemia nesta área da saúde e abordou a questão da formação inicial destes profissionais.
“Falámos do que nos preocupa que tem a ver com uma hipotética segunda vaga e não queremos ser apanhados desarmados e impreparados”, disse.
Na análise retrospetiva, explicou, foi apresentado a Marcelo Rebelo de Sousa o impacto “sem precedentes” da pandemia na área da Medicina Dentária, mostrando “as vulnerabilidades e a inexistência de apoios para a adaptação e mitigação desta crise sanitária”. O bastonário referiu que é preciso reforço das linhas de financiamento que existiram como a “Linha Adaptar”, um programa que considera ter sido parco para a adaptação de espaços e consultórios de medicina dentaria e sem priorização para a atividade médica.
Miguel Pavão considera que é necessário agora uma maior e melhor preparação para uma eventual segunda vaga da pandemia, alertando também para a necessidade de uma regulação ao nível dos Equipamentos Individuais de Proteção (EPI), de forma a não existirem discrepâncias dos valores cobrados. “Há razões para cobrança, claro. Ninguém pode ficar indiferente aos seus custos, mas não há razão para haver discrepância nos valores cobrados. Se existem linhas de financiamento para os profissionais também é fundamental que os valores sejam regulados”, frisou.
Relativamente ao ensino da Medicina Dentária em Portugal, Miguel Pavão explicou que manifestou a Marcelo Rebelo de Sousa a preocupação da OMD quanto à falta de oportunidades de emprego em Portugal, alertando para o facto de 14 por cento dos novos médicos dentistas estarem emigrados.
“Formam-se médicos dentistas, mas não há uma adequação ao mercado de trabalho e ficam vidas frustradas de jovens médicos dentistas que não têm outra opção senão emigrarem”, disse.
No passado dia 12, a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou que três em cada quatro países interromperam total ou parcialmente os serviços de atendimento de Medicina Dentária devido à pandemia por Covid-19. “A Covid-19 afetou os serviços odontológicos de uma forma sem precedentes", disse, em conferência de imprensa, o chefe de Medicina Dentária do Departamento de Doenças Não Transmissíveis da OMS, Benoit Varenne.
A inicial falta de preparação dos serviços e a falta de equipamentos de proteção foram causas para a redução de muitas intervenções em clínicas dentárias, tendo as pessoas adiado a suas visitas ao dentista durante o confinamento.
Os serviços odontológicos estão a reabrir aos poucos, mas o novo normal “exige uma adaptação que vai exigir tempo e investimento” e isso vai depender em grande medida do apoio que o governo lhes der, sublinhou Varenne.

O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

Mais lidas