APAH e OM preocupadas com quebra acentuada de consultas presenciais no primeiro semestre de 2020
DATA
08/09/2020 16:08:49
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Jornal Médico
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APAH e OM preocupadas com quebra acentuada de consultas presenciais no primeiro semestre de 2020

No primeiro semestre deste ano realizaram-se menos 3,8 milhões de consultas presenciais nos cuidados de saúde primários (CSP) do que no mesmo período de 2019, enquanto nos hospitais foram feitas menos 902 mil consultas nas unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Estes dados foram apresentados hoje, no auditório da Ordem dos Médicos (OM), em Lisboa, no âmbito do lançamento do Movimento Saúde em Dia, promovido pela OM e pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH). Os dados mostram uma quebra de 36% de consultas presenciais nos centros de saúde nos primeiros seis meses de 2020.

A redução de 902 mil consultas hospitalares representou uma quebra de 225 nas primeiras consultas hospitalares e de 11% nas consultas subsequentes. Nas urgências hospitalares assistiu-se a uma redução de 27% de episódios no primeiro semestre, o que significa menos 839.436 episódios do que em 2019. Também as cirurgias tiveram uma quebra significativa, com a realização de menos 27% de intervenções. As cirurgias programadas registaram uma redução de 30% e as urgentes diminuíram 10%.

A OM e a APAH manifestam preocupação com os dados relativos ao número acumulado de doentes sem acesso a consultas, cirurgias, exames, internamento ou mesmo urgências. Uma situação que, de acordo com o bastonário da OM, Miguel Guimarães, “se pode agravar nos próximos meses, uma vez que existem doentes sem acesso a consultas desde março, que ainda não começaram a ser tratados e não há um verdadeiro plano de retoma”.

Segundo dados oficiais, o número de teleconsultas aumentou 40%, no primeiro semestre de 2020. Contudo, o presidente da APAH, Alexandre Lourenço, explica que há que olhar com atenção para as consultas presenciais que não foram realizadas: “Os números da telemedicina até podem ser positivos, mas este recurso será sempre  complementar , e ainda não está consolidado de forma uniforme em Portugal, e pode  mascarar uma realidade que se pode tornar ainda mais grave num futuro próximo. Não é apenas com uma chamada telefónica que podemos realizar rastreios, diagnósticos, conhecer o doente e referenciá-lo adequadamente para os cuidados especializados”.

Miguel Guimarães subscreve esta ideia e acrescenta que “os centros de saúde continuam com atividade limitada pela Covid-19” e que os contactos diretos com o doente têm sido muito baseados numa “suposta telemedicina e por contactos breves, o que não permite ter acesso à imagem completa do utente”. Posto isto, o bastonário defende: “É preciso começar a tratar os doentes que ficaram pendentes desde março, é preciso que os doentes não tenham medo de ir ao SNS e que o SNS lhes dê todos os acessos possíveis. Os doentes não podem achar que uma consulta em telemedicina é o mesmo que uma consulta presencial”.

Com base nestes números e na preocupação, a APAH e a OM – com o apoio da Roche – lançaram hoje o vídeo “Saúde em Dia – Não mascare a sua saúde”, que pretende sensibilizar a população para a importância de se manterem alerta em relação à sua saúde, não mascarar sintomas e não adiar visitas ao médico perante sinais de alerta de qualquer doença.

Fique a conhecer a campanha e saiba mais aqui.

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Editorial | Jornal Médico
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