Investigadores do i3S descobrem que megalina é essencial para aprendizagem e memória
DATA
09/09/2020 10:20:42
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Jornal Médico
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Investigadores do i3S descobrem que megalina é essencial para aprendizagem e memória

Uma equipa de investigadores do i3S descobriu que a megalina, uma molécula recetora da superfície das células, regula a atividade e a sobrevivência dos neurónios e tem um papel fundamental na aprendizagem e na memória.

Com a descoberta desta nova função da megalina – publicada na revista Brain Communications – esta molécula torna-se assim um novo fator a considerar na formação e consolidação de memórias.

Duas equipas do i3S, lideradas pelas investigadoras Maria João Saraiva e Teresa Summavielle, recorreram a células em cultura e a modelos animais nos quais a expressão da megalina estava alterada, e conseguiram demonstrar os efeitos devastadores que a redução da megalina tem na cognição de ratinhos. Em vários testes de comportamento, os animais com expressão de megalina diminuída demonstravam grandes dificuldades de aprendizagem e de memorização.

João Gomes, autor do trabalho, explica esses processos cognitivos de aprendizagem e memorização “são em parte controlados pelo hipocampo, uma área específica do cérebro responsável pelas funções de formação e consolidação da memória, e cujos neurónios parecem ser muito afetados por baixos níveis de megalina”. 

Andrea Lobo, também autora do trabalho, acrescenta que a “redução da megalina afeta a fisiologia dos neurónios a vários níveis”. A megalina, sublinha a investigadora, “é essencial para a formação de novas zonas de ligação entre os neurónios, as designadas sinapses. E sem novas sinapses ativas é impossível um bom desempenho cognitivo”.

Os investigadores chegaram a estas conclusões quando tentavam perceber os mecanismos moleculares subjacentes à síndrome humana de Donnai-Barrow, que resulta de uma mutação da megalina e se manifesta por vários problemas fisiológicos e em défices intelectuais graves ou outros sintomas neurológicos.

Além disso, “já sabíamos que a megalina é uma molécula recetora da proteína transtiretina (TTR) e que esta proteína tem a capacidade de regular a megalina. Agora conseguimos verificar que aumentando a TTR ela é capaz de compensar a deficiência da Mmegalina nos neurónios. Ou seja, a TTR dá ordens à célula para produzir mais e compensar as perdas de megalina”, explica João Gomes. Assim, no futuro será interessante explorar se é possível usar a TTR para reverter os efeitos do défice de megalina nos processos de memória.

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Editorial | Joana Romeira Torres
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