Relação entre lípidos e bactérias dá pistas sobre etiologia da dermatite atópica
DATA
14/09/2020 14:47:42
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Jornal Médico
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Relação entre lípidos e bactérias dá pistas sobre etiologia da dermatite atópica

Uma pesquisa recentemente levada a cabo por um grupo de cientistas da Universidade de Nova Iorque – intitulada “Lipid depletion enables permeation of Staphylococcus aureus bacteria through human stratum corneum” – analisou a relação entre lípidos e bactérias na pele, com o objetivo de identificar a etiologia da dermatite atópica (DA)/eczemas, que até à data permanece desconhecida.

O estudo juntou estes dois aspetos do eczema, que raramente são avaliados em simultâneo. Uma das consequências da DA é a redução no nível de lípidos na derme, particularmente os lípidos do grupo das ceramidas. Na pele, os lípidos desempenham a função de regulação da hidratação, ao mesmo tempo que potenciam a defesa da derme contra agressões externas – tanto de uma forma direta, através da sua ação antimicrobiana inerente, como indiretamente, por via da sinalização imunitária. Outra consequência do eczema é o aumento da colonização da pele por bactérias estafilocócicas, responsáveis por irritação ou infeção.

Segundo os investigadores, a genética tem um papel determinante no desenvolvimento da doença, mas indivíduos com determinadas ocupações laborais – tais como profissionais de saúde, cabeleireiros, metalúrgicos ou da área do processamento alimentar – apresentam maior tendência para desenvolverem DA/eczema. A explicação prende-se com o contato regular com detergentes e com a frequência com que lavam as mãos.

A equipa de cientistas da Universidade de Nova Iorque procurou avaliar o que sucede, então, quando ocorre uma redução acentuada de lípidos na pele, seja por causa de uma mutação genética, seja por via ocupacional. Esta questão serviu de base ao estudo, partindo os peritos da premissa que as bactérias não são capazes de penetrar a barreira dérmica de uma pele normal e saudável. Contrariamente a uma pele atópica ou com níveis de lípidos consistentes com DA, em que as bactérias penetram, demorando aproximadamente nove dias a fazê-lo, referem os cientistas.

Uma vez que as bactérias estafilocócicas são imóveis, precisam de se multiplicar de forma a poderem disseminar-se na camada exterior e protetora da pela, designada por estrato córneo. Os investigadores da Universidade de Nova Iorque acreditam que as bactérias não se desenvolvem em torno das células cutâneas, mas sim através destas. Devido à depleção lipídica – seja esta provocada por causas genéticas ou ocupacionais – a pele torna-se mais vulnerável à invasão bacteriana e, consequentemente, à infeção dos tecidos dérmicos subjacentes.

Embora este estudo não levante o véu sobre todos os segredos em torno da DA, o facto de revelar que as bactérias podem ser causa e não resultado da doença já é um enorme avanço nesse sentido.

De acordo com os cientistas, é necessária investigação adicional. Agora que sabem que as bactérias podem atravessar a derme devido à depleção lipídica da pele, a equipa de investigação quer perceber que efeito mecânico terão na pele, se serão capazes de enfraquecer a derme e/ou de torná-la mais suscetível de quebrar e como se movimentam nas diferentes camadas cutâneas.

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Editorial | Joana Romeira Torres
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