37.º ENMGF: Autoridades de saúde devem adotar novas formas de comunicar em eventual segunda vaga pandémica
DATA
22/09/2020 19:26:46
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Jornal Médico
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37.º ENMGF: Autoridades de saúde devem adotar novas formas de comunicar em eventual segunda vaga pandémica

O jornalismo teve um "papel fundamental" na contenção da pandemia a nível nacional e houve, da parte dos jornalistas, o assumir de um sentido de serviço público, decorrente de uma preocupação inédita em orientar comportamentos.

As conclusões são de um estudo sobre o impacto da Covid-19 em Portugal – levado a cabo por um grupo de investigadores da Universidade do Minho (UM) e do CINTESIS e que consistiu num inquérito a 200 jornalistas (diretores, editores e jornalistas redatores) de muitos órgãos de comunicação social nacionais, incluindo televisões, rádios e jornais e foram apresentadas na conferência inaugural do 37.º ENMGF pela coordenadora do mesmo, a comunicóloga, professora e investigadora da UM Felisbela Lopes.

Os resultados desta pesquisa mostram que os jornalistas enfrentaram uma onda de informação falsa sobre o tema da Covid-19 durante o Estado de Emergência e apontam, ainda, a urgência de uma mudança na comunicação das autoridades de saúde com os media.

De acordo com Felisbela Lopes, 87% dos inquiridos referiram uma crescente onda de informação falsa difundida durante a pandemia que tornou o processo de verificação e seleção de notícias sobre a doença mais “complexo e moroso”. Mais de metade dos jornalistas apontaram problemas na triagem de informação credível sobre o SARS-CoV-2 e a falta de colaboração das fontes de informação.

Estas conclusões sugerem que, “na eventualidade de uma segunda vaga do coronavírus, será útil alterar a forma como as autoridades de saúde comunicam com os media”, advoga a docente, especificando que “a informação não pode ser veiculada apenas em conferência de imprensa. Deve haver da parte das autoridades sanitárias um patamar que faça a intermediação com os media e que seja o interlocutor permanente com os jornalistas”

Mais de 90 por cento dos jornalistas inquiridos assumiram ter tentado orientar os cidadãos para determinados comportamentos durante a pandemia. Um comportamento reconhecido pelos jornalistas inquiridos como “de serviço público” que, segundo a investigadora da UM, “acontece pela primeira vez em regime democrático" e que fez com que os jornalistas se constituíssem como “um grupo importantíssimo no combate à pandemia". Felisbela Lopes sublinha que, além da "célere decisão política e do bom acompanhamento das autoridades sanitárias", o trabalho jornalístico foi "fundamental para ler o rápido confinamento que aconteceu em Portugal".

Outra das conclusões do estudo refere ainda que o trabalho jornalístico foi fundamental para o rápido confinamento do país durante o Estado de Emergência.
Numa fase de muita procura de informação por parte dos cidadãos e de um tsunami de notícias falsas, os jornalistas usaram também estratégias defensivas para combater a desinformação. Segundo o estudo, o método mais usado foi o cruzamento de dados com fontes documentais e também pedidos de explicações a fontes especializadas.

Os resultados preliminares do inquérito revelam que mais de metade dos jornalistas (52%) teve dificuldade na triagem da informação credível sobre a Covid-19. Ao mesmo tempo, 14% sentiram falta de colaboração das fontes de informação e 12% sentiram dificuldade no acesso à informação do dia.

Para Felisbela Lopes, "é um paradoxo" que o jornalismo tenha sido fundamental no combate à pandemia e, ao mesmo tempo, os jornalistas "não tenham conseguido obter informação de que necessitavam por parte das fontes oficiais".

A mudança necessária
Editorial | Jornal Médico
A mudança necessária

Os últimos meses foram vividos por todos nós num contexto absolutamente anormal e inusitado.

Atravessamos tempos difíceis, onde a nossa resistência é colocada à prova em cada dia, realidade que é ainda mais vincada no caso dos médicos e restantes profissionais de saúde. Neste âmbito, os médicos de família merecem certamente uma palavra de especial apreço e reconhecimento, dado o papel absolutamente preponderante que têm vindo a desempenhar no combate à pandemia Covid-19: a esmagadora maioria dos doentes e casos suspeitos está connosco e é seguida por nós.

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