Covid-19: Plano Outono-Inverno conta com os setores privado e social
DATA
24/09/2020 14:56:16
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Jornal Médico
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Covid-19: Plano Outono-Inverno conta com os setores privado e social
A ministra da Saúde, Marta Temido, afirmou ontem que o Plano Outono Inverno 2020/21 conta com os setores privado e social para organizar as respostas à pandemia de Covid-19.

“Sempre o dissemos, na primeira fase, que tínhamos interesse em contar com o setor privado e social para organizar as respostas”, disse Marta Temido, dando como exemplo que metade dos testes à Covid-10 são “feitos no privado e na academia”.

Também existem acordos preparados na primeira fase de resposta à doença, a nível dos internamentos, que poderão ser ativados, existindo ainda a possibilidade da requisição civil, disse Marta Temido na conferência de imprensa regular sobre a Covid-19, onde foi questionada sobre o plano das autoridades de saúde.

Sobre a criação de unidades de retaguarda, Marta Temido lembrou que na primeira fase de pandemia havia cerca de 700 pontos de retaguarda com 20 mil lugares disponíveis e que, neste momento, estão a proceder à sua reativação “um pouco por todo o país”.

Ainda sobre o plano, explicou que numa fase de resposta normal à pandemia todas as unidades acomodarão simultaneamente respostas Covid e não Covid.

“Mas poderá haver afetação de alguns edifícios dentro de determinadas unidades apenas para respostas Covid e poderá haver a afetação de determinadas respostas em áreas metropolitanas, com uma maior pressão, de casos apenas a Covid e depois há hospitais que não têm esse tipo de resposta”, esclareceu.

Marta Temido sublinhou que há “um nível de decisão que é operacional e tático”, acrescentando que “este plano é um quadro de referência, orientador” que se destina a identificar quais são os desafios, objetivos, eixos estratégicos de ação e neste eixo foi destacado a resposta à doença não Covid.

Questionada sobre as críticas dos médicos e administradores hospitalares de que o plano ficou “aquém das expectativas”, comentou que “ninguém conseguiria aplicar um plano desenhado a régua e esquadro, ao milímetro e desenhado em serviços centrais".

No discurso inicial na conferência, Marta Temido disse que este plano tem “um conjunto de ações e medidas que estão a ser realizadas no terreno”, mas que ele radica também nos recursos humanos, sobretudo nos que trabalham no Serviço Nacional de Saúde.

Em resposta às questões que têm sido referidas sobre o número de profissionais que o SNS dispõe atualmente, a ministra lembrou que desde o final de 2015 a dezembro de 2019 foram contratados 15.425 profissionais.

Desde o início deste ano, dispõe de mais 5.216 profissionais de saúde, 1.527 dos quais são enfermeiros, 1.784 assistentes operacionais, 542 assistentes técnicos, 445 técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica.

A ministra explicou ainda que “por força do estado de emergência e do estado de calamidade” a realização da tradicional época de avaliação de candidatos a recém-especialistas em Medicina este ano “aconteceu mais tarde”.

Decorrentes da homologação das notas, os concursos iniciaram-se durante o período de férias e estão neste momento a decorrer, sendo que os especialistas serão “contratados uns meses, umas semanas mais tarde” do que era habitual.

Segundo a ministra, o concurso para a colocação de especialistas de medicina geral e familiar vai permitir contratar profissionais a partir de outubro.

Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.