Covid-19: Ordem recusa instrumentalização dos médicos de família pelo Governo
DATA
01/10/2020 11:32:49
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Jornal Médico
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Covid-19: Ordem recusa instrumentalização dos médicos de família pelo Governo

A Ordem dos Médicos (OM) repudiou a “instrumentalização” e a responsabilização dos médicos de família (MF) pelas dificuldades de acesso reportadas por utentes aos centros de saúde, quando a resposta à pandemia de Covid-19 concentra as maiores atenções.

“Não podemos colocar nos MF o ónus de conseguirem uma boa resposta à pandemia, deixando, simultaneamente, que recaia sobre esses mesmos médicos o descontentamento dos seus doentes de sempre. Os mesmos médicos não conseguem ao mesmo tempo dar resposta aos doentes Covid-19 e aos doentes não-Covid”, pode ler-se num comunicado enviado às redações.

De acordo com a OM, os constrangimentos atuais partem de “problemas antigos e basilares” e alertou para a “lista excessiva de 1.900 doentes para acompanhar” por estes profissionais de saúde, bem como a existência de quase um milhão de pessoas sem MF e a sobreposição do trabalho com tarefas burocráticas.

Contrapondo o “trabalho de excelência” dos MF portugueses no acompanhamento de doentes infetados com o novo coronavírus a condicionamentos imputados ao próprio Ministério da Saúde, a OM enfatizou a necessidade de acelerar a resposta aos doentes com outras patologias.

“Os MF querem consultar os seus doentes e dar continuidade à vigilância dos doentes crónicos para que não se percam os ganhos em saúde que o controlo das doenças crónicas permitiu ao longo dos últimos anos. Esta missão, em grande parte impedida pelo Ministério da Saúde, ao continuar a concentrar a atividade de muitos médicos de família no combate à pandemia (…), tem de ser recuperada”, refere o comunicado.

Consequentemente, a OM exigiu ao ministério liderado por Marta Temido o cumprimento da sua “obrigação ética” com a libertação dos MF para as respetivas funções habituais e para que seja reposta a “normalidade do exercício da Medicina”, com respeito pelas necessidades da população.

“Os nossos doentes de sempre não podem continuar a ser prejudicados. É possível e desejável criar equipas e linhas diretas próprias para responder às necessidades dos doentes Covid-19 que não precisam de estar internados em meio hospitalar. Se necessário recorrendo a todo o sistema de saúde”.

A mudança necessária
Editorial | Jornal Médico
A mudança necessária

Os últimos meses foram vividos por todos nós num contexto absolutamente anormal e inusitado.

Atravessamos tempos difíceis, onde a nossa resistência é colocada à prova em cada dia, realidade que é ainda mais vincada no caso dos médicos e restantes profissionais de saúde. Neste âmbito, os médicos de família merecem certamente uma palavra de especial apreço e reconhecimento, dado o papel absolutamente preponderante que têm vindo a desempenhar no combate à pandemia Covid-19: a esmagadora maioria dos doentes e casos suspeitos está connosco e é seguida por nós.

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