APMGF refuta críticas que atribuem culpas da falta de acessibilidade nos CSP aos MF
DATA
02/10/2020 12:31:09
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Jornal Médico
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APMGF refuta críticas que atribuem culpas da falta de acessibilidade nos CSP aos MF

Na sequência de algumas críticas recentes por parte do Governo, mas também da opinião pública, a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) veio hoje reforçar, em comunicado enviado às redações, que “os médicos de família (MF) portugueses continuam, tal como sempre estiveram, empenhados em proporcionar os melhores e mais adequados cuidados de saúde a todos os seus utentes”.

De acordo com a nota assinada pela direção nacional da APMGF, “a pandemia que atravessamos obrigou a uma profunda reorganização dos cuidados de saúde primários (CSP) e trouxe consigo uma multiplicidade de novas tarefas. Os MF estiveram, estão e continuarão a estar na primeira linha do combate a esta pandemia e por isso reorganizaram toda a sua atividade de forma a dar resposta à miríade de novas solicitações com que foram confrontados. Isto sem ter havido qualquer investimento suplementar nos centros de saúde, como foi anunciado recentemente para os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

Pode ainda ler-se no comunicado sobre o esforço dos MF em manter a acessibilidade dos utentes às consultas: “A segurança de todos e de cada um dos utentes é uma preocupação fundamental para nós, razão pela qual nos empenhámos em encontrar alternativas válidas ao atendimento presencial, nomeadamente através do recurso ao telefone, videoconferência ou correio eletrónico. Os MF têm procurado através destas vias alternativas recuperar as consultas que foram sendo desmarcadas ao longo dos últimos meses, garantindo o atendimento presencial sempre que tal é absolutamente necessário”.

Na nota a que o Jornal Médico teve acesso, a APMGF reage às críticas, alegando que “ao contrário do que tem sido difundido, os centros de saúde não estão fechados, nem nunca estiveram” e explica: “os MF que lá trabalham estão sujeitos a uma sobrecarga de tarefas, tendo desde logo a seu cargo o seguimento diário de milhares de suspeitos ou confirmados para a Covid-19. Para além desta hercúlea tarefa, dão ainda apoio a situações de surtos em ERPI, realizam incontáveis contactos telefónicos com os seus utentes, respondem a dezenas de e-mails por dia, garantem a resposta à doença aguda e a vigilância de grupos de risco”.

Segundo a associação que representa esta especialidade médica, “toda esta intensa atividade é exercida num contexto de um claríssimo desinvestimento nos CSP e nas suas unidades funcionais, muitas vezes pautado pela mais que evidente escassez de recursos humanos, de equipamentos e de recursos materiais”. Neste sentido, a APMGF refere: “Gostaríamos de relembrar que previamente à pandemia os MF já estavam assoberbados com listas de utentes desproporcionadas e elevada pressão assistencial, condicionantes que implicavam desde logo uma gestão complexa do tempo e da agenda clínica, contexto agora seriamente agravado em fase pandémica.

De salientar, ainda, e de acordo com a estrutura, que “aos MF são ainda atribuídas múltiplas tarefas burocráticas e administrativas inapropriadas que, ou são desnecessárias, ou poderiam ser realizadas por outros grupos profissionais”. Assim sendo, defende, “urge implementar medidas de simplificação e abolição de atos administrativos desnecessários ou dispensáveis no contexto de pandemia e de estado de contingência, de modo a permitir que os MF tenham tempo para realizar a sua principal missão: promover e cuidar da saúde dos seus utentes, em todas as suas dimensões”.

Em jeito de conclusão, a direção nacional da APMGF refere que “os MF portugueses estão profundamente preocupados com a situação que previsivelmente se viverá na época de outono/inverno que agora se inicia e consideram como prioritária a preparação criteriosa da resposta aos doentes com doença respiratória aguda”. E acrescenta: “Os médicos de família, de forma abnegada e dedicada, continuarão sempre a exercer o seu trabalho em prol da saúde das populações em geral e de cada utente em particular.
No mesmo comunicado, a APMGF informa que tem, desde o passado dia 7 de setembro, uma audiência solicitada à ministra da Saúde, com o objetivo de abordar todas as dificuldades sentidas nos centros de saúde. Até à data, porém, não obteve qualquer resposta a este pedido, mantendo-se assim os MF apreensivos quanto às condições de acessibilidade aos cuidados de saúde.

O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
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Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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