Hospital de Évora: Falta de médicos impõe implementação de novo modelo de atendimento na Urgência Pediátrica
DATA
07/10/2020 10:11:06
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Jornal Médico
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Hospital de Évora: Falta de médicos impõe implementação de novo modelo de atendimento na Urgência Pediátrica

O Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), acaba de implementar “um novo modelo de atendimento” na Urgência Pediátrica de forma a tentar contrariar a falta de médicos pediatras e “garantir a assistência às crianças e jovens do Alentejo”.

Em comunicado enviado à agência Lusa, o conselho de administração (CA) do HESE revelou que este “novo modelo de atendimento” foi implementado ontem e tem como objetivo garantir a assistência e “um atendimento de qualidade aos utentes” da Urgência Pediátrica.

“Entre agosto e setembro, o Serviço de Urgência Pediátrica (SUP) do HESE viu reduzida a sua equipa em sete elementos”, mais precisamente “quatro pediatras por baixas médicas e três por rescisão de contrato”, lembra o CA. Apesar das “múltiplas tentativas de contratação de pediatras” efetuadas, “até ao momento, todavia, não houve uma resposta que permitisse colmatar aquelas ausências de forma sustentada”, lamentou o HESE.

O novo modelo de atendimento neste serviço, desenhado em articulação com a Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, “mantém o atendimento pediátrico urgente com um pediatra de presença física – continuando-se a recorrer a prestadores de serviços, se tal se revelar necessário – e com um ou dois médicos com treino pediátrico, que farão o primeiro atendimento”, revelou o hospital.

Fonte do HESE contactada pela Lusa precisou que, antes, o atendimento dos utentes no SUP era “efetuado por dois pediatras e um médico de clínica geral”, passando agora a escala a ser assegurada por “um pediatra, dois médicos com treino em atendimento pediátrico e, quando necessário, um segundo pediatra”.

“As instalações mantêm-se as mesmas, assim como o circuito destes doentes. No entanto, a afetação dos recursos humanos e das instalações atuais passarão a estar sob a responsabilidade do Serviço de Urgência Geral, à semelhança do que acontece com outras especialidades, tais como a ortopedia, a medicina interna ou a cirurgia geral”, esclareceu a unidade hospitalar.

O HESE indicou ainda que este modelo “será transitório até ao regresso dos pediatras que se encontram de baixa, em conjunto com o preenchimento das vagas atribuídas pelo Ministério da Saúde no concurso de especialistas”.

"Esta é uma situação transitória para dar resposta aos nossos utentes e aos nossos profissionais”, vincou a presidente do CA, Maria Filomena Mendes. Segundo a responsável, o hospital consegue, assim, cumprir “dois objetivos” da sua missão: “Garantir o atendimento de quem a nós recorre, no caso às crianças e jovens do Alentejo, evitando que tenham que se deslocar para outros hospitais distantes”, e “respeitar os direitos dos profissionais do HESE".

O CA prometeu, contudo, continuar a “fazer todas as diligências no sentido de encontrar especialistas de pediatria que queiram integrar a equipa do HESE, quer em prestação de serviços, até ao regresso dos pediatras que se encontram de baixa, quer em contrato de trabalho sem termo ou em mobilidade, de modo a assegurar o rejuvenescimento da equipa” do Serviço de Pediatria, que inclui 23 pediatras, a maioria “em idade que permite a dispensa de realização de atendimento no SUP”.

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS), em 31 de agosto, alertou para a “grave carência” de pediatras no SUP do HESE, alegando mesmo que este estava “em risco de encerrar” a partir do início de setembro, tendo, na altura, o CA hospitalar admitido a falta de especialistas, mas garantido a continuidade do atendimento.

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Editorial | Jornal Médico
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