Covid-19: Sindicato dos Médicos apela ao Governo para se concentrar em soluções
DATA
12/10/2020 10:45:18
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Jornal Médico
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Covid-19: Sindicato dos Médicos apela ao Governo para se concentrar em soluções

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) apelou sábado ao Governo para que se concentre na organização de soluções para enfrentar a pandemia de Covid-19, “em vez de maquilhar a realidade”, considerando que se negligenciou a preparação de recursos.

“O SIM responsabiliza mais uma vez o Ministério da Saúde que, com a permanente preocupação em adornar a realidade, negligenciou a preparação e aprovisionamento em recursos humanos (que não só os médicos), quer dos hospitais, quer dos cuidados de saúde primários, quer das unidades de saúde pública, tendo tido tempo para tal desde março e sabendo que com a entrada no outono/inverno a situação agravar-se-ia”, lê-se num comunicado do Sindicato Independente dos Médicos (SIM).

Salientando que no sábado se reportou o maior número de novos infetados pelo novo coronavírus - “1.642 novos casos, equivalentes a mais de 5.000 na Alemanha ou 8.000 em Espanha”, o SIM reitera o pedido para que o Governo “se concentre na organização de soluções”.

“Há várias semanas que o SIM vem alertando para a gravíssima insuficiência de médicos nas equipas dos Serviços de Urgência, em especial nas áreas metropolitanas”, é recordado na nota.

As situações que já se registam atualmente, com urgências encerradas em vários períodos, equipas médicas “abaixo dos mínimos, médicos exaustos ultrapassando em muito as horas extraordinárias obrigatórias” ou “unidades de cuidados intensivos próximas de esgotamento”, levantam “seríssimas preocupações” com a chegada do inverno, acrescenta o SIM.

Por outro lado, lê-se na nota, os médicos de família estão “à beira do colapso”, mas continuam a dar “o seu melhor na resposta possível às costumeiras necessidades dos seus utentes, tentando não abandonar as tarefas preventivas e ao mesmo tempo que são inundados por novas necessidades decorrentes da pandemia”.

“Os Médicos de Saúde Pública, manifestamente em número insuficiente, estão afogados em inquéritos epidemiológicos e tarefas burocráticas. Têm trabalhado centenas, milhares de horas extraordinárias e sem qualquer compensação”, relata ainda o sindicato.

Crónicas de uma pandemia anunciada
Editorial | Jornal Médico
Crónicas de uma pandemia anunciada

Era 11 de março de 2020, quando a Organização Mundial de Saúde declarou o estado de Pandemia por COVID-19 e a organização dos serviços saúde, como conhecíamos até então, mudou. Reorganizaram-se serviços, redefiniram-se prioridades, com um fim comum: combater o SARS-CoV-2 e evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde, que, sem pandemia, já vivia em constante sobrecarga.

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